O tempo passa, a verdade fica, a realidade se transforma, os conceitos mudam, as oportunidades aparecem com mais facilidade, os desejos ficam mais acessíveis, os sonhos menos impossíveis, os argumentos menos estáveis, tudo muda ou recicla, mas uma coisa não muda, a essência pura e honesta de cada um, pois com ela conseguimos tudo na vida com muito, mas com muito mais facilidade mesmo. Essa pode não ser a verdade da vida moderna, mas com certeza é a nossa verdade e é o que realmente importa para nós e para a nossa existência!

Intuição



Intuição é uma forma de conhecimento que está dentro de todos nós, embora nem todas as pessoas saibam utilizá-la, de acordo com a psicóloga Virginia Marchini, fundadora do Centro de Desenvolvimento do Potencial Intuitivo, de São Paulo. Etimologicamente, explica Virginia, a palavra intuição vem do latim intueri, que significa considerar, ver interiormente ou contemplar. O matemático e filósofo Blaise Pascal referia-se à intuição como o produto da capacidade da mente de fazer muitas coisas ao mesmo tempo, graças às infinitas conexões inconscientes que tornam possível à mente consciente fazer escolhas. Grandes cientistas, entre eles o físico Albert Einstein, considerado o maior intuitivo da história, enfatizaram o valor do potencial intuitivo. O psiquiatra Carl Jung dizia sobre o conhecimento intuitivo: “Cada um de nós tem a sabedoria e o conhecimento que necessita em seu próprio interior”. Segundo Virginia, a mente intuitiva abre-se a respostas inovadoras e não dogmáticas, mas aprender a confiar na intuição é um grande desafio, pois o senso comum ainda considera a intuição um conhecimento de risco. “Pessoas com baixa auto-estima, por exemplo, têm mais dificuldade em acreditar na inteligência intuitiva em função de uma desconfiança em relação a tudo o que venha de seu interior”, diz Virginia. A psicóloga afirma que é possível desenvolver a intuição por meio de algumas técnicas, como o treino da habilidade no uso de imagens e símbolos, a aquisição de uma postura mais reflexiva e o desenvolvimento da autoconfiança. “Devemos confiar na intuição à medida que a autoconfiança e o autoconhecimento permitam ao indivíduo separar a intuição dos seus medos e desejos”, diz Virginia.
-----------------------------------------

Intuição - Você tem? Descubra como

Se você respondeu SIM. Bingo! Acertou! Porque todos nós temos intuição. Só que algumas pessoas com mais e outras com menos aguçada. Então, quando alguém lhe aconselhar e disser que a intuição dela está dizendo que você deveria fazer tal coisa, que tal arriscar? É bem provável que ela acerte o “palpite” e você se dê bem. Vale a pena comprovar não é mesmo?! Mas por que isso acontece mais forte com algumas pessoas? Tem pessoas que chegam a se declarar “videntes” de tão intuitivas que são. Mas intuição não é uma adivinhação. É uma impressão baseada em experiência.
Segundo os cientistas, existem quatro tipos de intuição : A intuição que é quase óbvia, a do dia-a-dia. Que é aquilo que fazemos e nosso cérebro vê se repetir quase que diariamente. Por exemplo: quando estamos dirigindo e vemos uma infração de trânsito sabemos que acabará em acidente, como por exemplo um motorista avançar o sinal numa via movimentada. Ou quando vemos um copo de vidro cair, sabemos que irá quebrar. Tem a intuição que vem da prática, que é aquela dos jogadores profissionais, que de tanto praticarem o esporte já sabem de onde vem a bola na quadra de esporte. Ou o professor que de línguas, que de tanta falar outro idioma, já não precisa mais pensar ao elaborar uma frase. Já é automático em seu cérebro. Tem a intuição que é quando conseguimos a resposta para um problema complexo sem ter raciocinado. As pessoas geralmente não sabem como chegaram aquela conclusão. E por fim, tem a intuição paranormal. Esta não tem explicação pela ciência.
Mas seja lá qual for o seu tipo de intuição, o mais importante é acreditar em seu potencial interior e saber que o seu cérebro tem esta capacidade de gravar as cenas vividas e quando for vivênciá-las novamente, de avisá-lo sobre o que irá acontecer, como irá acontecer e quais serão as consequências . Isto é o essencial. Ele é o seu grande aliado. Está lhe protegendo. Avisando sobre os riscos e perigos. Por isso sempre escute a sua intuição. Dê ouvidos ao seu interior.
Veja o que grandes nomes da história diziam sobre a intuição :
O psiquiatra Carl Jung dizia sobre o conhecimento intuitivo: “Cada um de nós tem a sabedoria e o conhecimento que necessita em seu próprio interior”.
“Não existe nenhum caminho lógico para a descoberta das leis do Universo – o único caminho é a intuição” – frase atribuída a Albert Einstein (1879-1955). O físico Albert Einstein, foi considerado o maior intuitivo da história e enfatizou o valor do potencial intuitivo.
-----------------------------------------
A intuição não é um dom mágico, mas uma capacidade do cérebro que pode ser desenvolvida e aplicada na hora de tomar decisões
Faça o teste interativo e descubra se você sabe usar a sua intuição
Por Rosane Queiroz

Há sete anos a terapeuta junguiana Lúcia Rosemberg desistiu na última hora de uma viagem marcada para Campos do Jordão. Era réveillon. Ela iria com os filhos e uma amiga. “Na hora de arrumar as malas senti uma preguiça inexplicável, daquelas de encostar no batente da porta e falar: ‘Ah, não quero mais...' " Não foi. No dia 2 de janeiro caiu um raio na casa. “Pegou fogo na fiação, o quarto onde estariam meus filhos foi destruído." Para a terapeuta, ter escutado a própria intuição foi o que evitou a tragédia. “O inconsciente sabe antes, é que a gente não dá ouvidos."

Conhecida como sexto sentido, a intuição não tem nada de sobrenatural. É uma capacidade do cérebro. Carl Gustav Jung a comparou a uma bússola, uma função da psique que desvenda possibilidades. Envolve a comunicação dos dois hemisférios do cérebro: o esquerdo, que é racional e armazena dados concretos - números, palavras e regras; e o direito, responsável pela linguagem não-verbal - símbolos, imagens e sensações. Relacionar o que vem de um e do outro é intuir.
A questão é como interpretar o que está lá dentro. O processo não é lógico nem linear. Sensações não seguem regras cartesianas, não são concatenadas, não obedecem a uma ordem temporal: aqui, quem dita as regras é o inconsciente.
Trazer para a consciência esse conhecimento interior significa dar vários passos. Resgatar os sinais dos cinco sentidos é um dos primeiros. Conseguir relacionar e interpretar dados objetivos e subjetivos é um dos mais difíceis porque o lado racional tende a desprezar o acaso, as emoções e impressões. Prestar atenção tem peso decisivo: “Não precisa ser vidente. A atenção torna as coisas evidentes", diz Lúcia Rosemberg. Definir um foco de atenção é mais do que uma rima para ativar a intuição - o termo vem do latim “intueri", que significa “olhar atentamente".
Aprender a formular a pergunta certa, direta e sem ambigüidades, é meio caminho andado na direção da resposta. A especialista Laura Day, consultora de executivos e celebridades nos Estados Unidos, dedicou um capítulo inteiro à importância das perguntas em seu “Manual da Intuição Prática" (Ed. Rosa dos Tempos), acreditando que essa elaboração inicial já aciona informações inconscientes sobre a questão.
Limpar a cabeça e se distanciar do problema ajuda a focalizar o que parece estar escondido. Albert Einstein costumava fazer palavras cruzadas para distrair a mente e permitir que a intuição se manifestasse. Para os cientistas, intuir significa conjugar fatos que, à primeira vista, não têm ligação. “A pessoa é mais intuitiva quanto maior for seu banco de dados e sua capacidade de interpretá-los", diz o neurologista Arthur Oscar Schelp, professor da Unesp. Ou seja: quem tem mais conhecimento armazenado vê o que os outros não enxergam. A intuição não despreza o conhecimento, mas elabora a informação de maneira diferente da mente lógica.
É um processo de compreensão instantânea que começa, às vezes, da mera percepção do acaso. Foi assim que no século 13 Robert Grosseteste conseguiu explicar o fenômeno do arco-íris, numa época em que se acreditava que aquilo era manifestação divina.
O astrofísico Amâncio Friaça, da USP, conta que Grosseteste observou o prisma que se formava quando a luz incidia sobre globos de água em seu laboratório. Associou o que via às gotículas de água suspensas no ar depois da chuva e que são cortadas pela luz do sol. Testou e confirmou a hipótese, chegando à explicação para o arco-íris.
É preciso diferenciar intuição do desejo de que algo aconteça e também da paranóia. Paranóia é um medo que se repete, intuição é um insight que acontece depois de uma recombinação inconsciente de fatos, observações e sensações. Segundo Lúcia Rosemberg, a questão é aprender como e para onde transferir a atenção, já que os sinais intuitivos costumam aparecer na forma de metáforas e associações aparentemente sem sentido. É dar ordem ao caos sem seguir uma linha lógica.
Talvez por isso a intuição seja relacionada à mulher, mais ligada à sensibilidade, receptividade, compreensão, subjetividade. “São atributos femininos, mesmo no homem”, diz Lúcia Rosemberg. Tudo o que cada pessoa percebe, sente, sonha, lembra tem significado. A educação voltada para a lógica bloqueia a capacidade de interpretar esses dados. “É preciso dar crédito àquilo que não é comprovado, mas é inegável”, sublinha a terapeuta.
Abrir na rotina um tempo para silêncio e recolhimento ajuda. Registrar e interpretar sonhos e impressões também, porque essas práticas facilitam o acesso ao mundo interno. Intuição, todo mundo tem. As respostas estão todas dentro, a trilha de acesso é sempre individual.
-----------------------------------------

Texto por Eliana Dutra

Muitas pessoas pensam que intuição é um dom , ou nascemos com ela, ou nascemos sem. Outras pensam que é algo místico, que pode ser atingido somente através de horas de meditação, quando o universo se manifesta e de alguma forma revela seus segredos...

Mas - isso já aconteceu com você - as pessoas fazem escolhas, tomam decisões que, simplesmente, não conseguem explicar. Você sabe como é. Por que resolveu pegar aquele caminho para o escritório ao invés do trajeto que sempre faz? Por que este candidato ao invés daquele, se os dois tinham a mesma formação? Pois isto é a intuição em ação.

É comum as pessoas tentarem explicar este tipo de decisão como um gosto ou um capricho. Na realidade, grande parte dos pensamentos que cruzam nossa mente, com tanta rapidez que mal notamos, é intuição. Vale notar que nossa intuição funciona para todo tipo de coisa desde as cotidianas e não importantes, até para você encontrar sua alma gêmea ou ganhar na loteria.

Intuição é um caminho para o saber, igual a qualquer outra fonte de informação como ver, ouvir, ler, etc. E como nestas outras fontes você pode treinar-se para usar sua intuição, da mesma forma que um músico educa sua audição e passa a distinguir tons de semitons e, com sua intuição educada, então, poderá decidir mais rápido e com menos esforço.

Assim como o músico ao iniciar o aprendizado confunde as notas de uma pauta, você deve estar atento para o fato de que você pode ter interpretado mal a mensagem que sua intuição lhe passou, assim é útil testá-la no mundo real.

Aqui vão algumas práticas, que podem ajudá-lo no processo, de treinamento de sua intuição.
  1. Abra-se para as novidades. Assim, sua intuição poderá se infiltrar na sua consciência ao invés de ser filtrada pela sua consciência.
  2. Respeite suas próprias emoções, sensações, sentimentos, pensamentos, pois quanto maior contato você tiver com o que você sente, mais fácil fica ouvir sua intuição.
  3. Respeite a intuição dos outros. Isto não quer dizer que você deve aceitar tudo que os outros dizem, mas sim entender que nem tudo pode ser explicado.
  4. Desista da vaidade e do medo de errar. Lembre-se erros não destruem uma carreira, a vaidade sim. A vaidade é o "liqüidificador" de intuição.
  5. Lembre-se que a intuição está sempre correta, mas fique alerta para a interpretação que você pode estar somando a ela, você pode estar interpretando mal.
  6. Entenda que a sua intuição chega a você passando por uma série de filtros (pressupostos culturais, preconceitos, falsas premissas) e que por isso alguns pensamentos intuitivos passam um mal pedaço para chegar até você ... e nem sempre chegam inteiros.
  7. Teste sua intuição, comece a atuar de acordo com ela e busque descobrir o que está aprendendo.
  8. Pratique ouvir e confiar na sua intuição, para pequenas e grandes decisões. Afinal, quando chega o momento, você nunca terá todos os elementos para poder decidir racionalmente, mesmo...
-----------------------------------------
O Espiritismo é o conjunto de leis morais que disciplinam as relações do "Mediunismo" entre o plano visível e o invisível, coordenando também o progresso espiritual de seus adeptos. Mas os fenômenos mediúnicos começaram a ocorrer muito antes de ser codificada a doutrina espírita, assim como também podem se registrar independentemente de sua existência. Sem dúvida, temos que distinguir que a mediunidade é uma manifestação que pode ocorrer independentemente do Espiritismo; o primeiro é uma "faculdade", que pode não estar sujeita a doutrinas ou religiões; o segundo é "doutrina" moral e filosófica codificada por Allan Kardec, cuja finalidade é a libertação do homem dos dogmas asfixiantes e das paixões escravizantes.

Intuição e mediunidade são termos normalmente associados ao Espiritismo no entanto podem existir bons médiuns, mesmo ignorando as obras de Allan Kardec e que professem outras crenças como o Catolicismo, o Protestantismo, a Teosofia, o Esoterismo, o Budismo, o Islamismo, o Hinduísmo e o Judaísmo ou que pertençam à diversas ordens iniciáticas como a Maçonaria, Rosa-Cruz, Templários, etc. e que possuem alto critério espiritual, mesmo alheios aos postulados espíritas.

Isso porque todas as pessoas possuem um certo grau de mediunidade, sabendo ou não deste fato. Há vários tipos desse dom do ser humano, o mais comum e que cada um de nós já pôde experimentar algum dia é a intuição. Intuição é uma palavra de origem latina "In tueri" que significa "olhar para dentro". Quem nunca teve um pressentimento de fatos felizes ou tristes em sua vida e que algum tempo depois se concretizou ? Quem nunca ouviu aquela voz interior elogiando ou criticando uma atitude tomada ?. Você já apostou numa rifa com a certeza de que acertaria o número premiado ?.

Todo mundo nasce com essa vocação, o difícil é coloca-la em prática. Na correria do dia a dia, quase ninguém tem tempo, vontade e paciência para ouvir os sinais da intuição, e sem esses ingredientes , não é possível captar as mensagens enviadas por ela antes de tomar uma decisão.

A mediunidade permite o intercâmbio entre as duas dimensões principais que formam a nossa vida : a material ( Corpo ) e a imaterial ( Espírito ). A intuição não é truque, ela faz parte da natureza humana e age no lado direito do cérebro, responsável pelas emoções. Quando uma mensagem intuitiva brota na mente, o lado direito do cérebro encaminha essa mensagem para o lado esquerdo, que é ligado ao intelecto e a razão. No momento em que essa informação é interpretada, o organismo libera substâncias químicas, que estimulam a atividade cerebral. Por isso a pessoa tem a impressão de que algo vai acontecer. Nesse instante, sente o coração bater mais rápido, pode suar e ficar com a pele avermelhada.

Esse processo é defendido pela neurologia, a área da medicina que estuda o funcionamento do cérebro. Porém os místicos têm outra explicação; para eles, a intuição é "soprada" pelo plano Divino, seja por meio dos Anjos ou de "Espíritos do Bem". Esses seres de luz beneficiam as pessoas com a capacidade de intuir para que elas se apeguem menos aos bens materiais e possam reconhecer a importância dos valores espirituais para a evolução da alma.

Os místicos vão mais além , segundo eles, é possível não apenas usar a intuição para receber auxílio no presente, como também recorrer a esse dom para lembrar de acontecimentos experimentados em outras vidas, corrigindo os erros do passado. Quantas vezes você já foi apresentado a uma pessoa e teve a impressão de que o rosto dela lhe é familiar ? Pode ser obra de sua intuição, que o(a) desperta para uma outra época em que você e essa pessoa compartilharam momentos, sejam eles bons ou ruins. Por algum motivo, a sua memória é ativada para que juntos, possam "acertar as contas" na existência atual e prosseguir no desenvolvimento espiritual.

Os sonhos também podem ser canais de expressão da sua intuição, muitas vezes, forças espirituais transmitem conselhos ou avisos durante o sono. Quem sonha com a morte de uma pessoa querida e esse fato se confirma, deve aceitar esse aviso como uma preparação emocional para aquele acontecimento. Mas os sonhos não são apenas mensageiros de eventos infelizes, muitos cientistas fizeram grandes descobertas por meio de mensagens recebidas enquanto dormiam. Friedrich Kekulé em 1865, sonhou com uma estranha cadeia molecular, acordou assustado, porque o sonho havia lhe revelado a fórmula do benzeno, utilizado na fabricação de inseticidas e plásticos em geral.

Você pode "ouvir" o que os seus sonhos dizem. Habitue-se a anotar num caderno as imagens trazidas pelo inconsciente assim que acordar. Dessa forma, ficará mais próximo(a) das suas emoções e, portanto sensível ao poder da sua intuição.

A história está repleta de fatos curiosos que atestam a validade da intuição. Júlio Rasec tecladista dos Mamonas Assassinas, deixou gravado em vídeo o seu mal pressentimento em relação ao acidente que se confirmou em março de 1996, onde ele e os amigos perderam a vida em um acidente de avião. James Dean, ignorou o alerta feito por um amigo de que sofreria um acidente automobilístico, uma semana depois bateu com seu Porshe que havia comprado há uma semana e morreu na hora.

É preciso estar preparado para conviver com uma intuição forte, pois como podemos constatar nem sempre as mensagens são agradáveis. Ficamos deprimidos quando reconhecemos a nossa impotência diante de fatos que conseguimos prever, mas que não podemos evitar. Muitas vezes ficamos com a impressão de que fomos nós que provocamos aquele fato, o que não é verdade. Por essa razão é preciso praticar diariamente rituais e exercícios espirituais, como : mantras, orações, meditação e boas leituras, para que nosso espírito possa suportar a carga emocional que acompanha essas premonições.

O êxito do trabalho intuitivo e mediúnico depende muito mais de renúncia, desinteresse, humildade e ternura de seus praticantes do que de qualquer manifestação fenomênica espetacular, que empolga os sentidos físicos mas que não converte o espírito ao Bem.

Freqüentemente nos perguntam se intuição é apenas um dom ou pode ser desenvolvida, e a resposta é : Intuição é um dom que precisa ser exercitado para desenvolver-se.

Saiba que todo mundo tem um pouco de intuição, basta exercitá-la, acredite mais nos seus pressentimentos e saiba que nem tudo no Universo tem explicação científica. Para ativar o seu dom, fique algum tempo só, não seja tão racional e preste mais atenção à sua voz interior. Você descobrirá um Universo maravilhoso no seu interior !
Veja à seguir alguns exercícios que podem facilitar o desenvolvimento da sua intuição.
Atenção : Quando decidir fazer um ritual, é preciso estar convencido(a) totalmente do sucesso final e visualizar o resultado. Em momento algum deve passar pela sua mente a idéia de fracasso. Desejar o resultado, com todas as forças positivas do pensamento, é garantir as energias necessárias para obter o sucesso esperado.
Exercícios para despertar a intuição

1 - Tradição Oriental
Relaxamento.
Em um ambiente tranqüilo, deite-se e respire profundamente.
Feche os olhos ao som de uma música instrumental.
Procure eliminar de sua mente qualquer pensamento negativo.
Se adormecer, preste atenção nos seus sonhos.
Escreva sobre o que sentir ou sonhar sem censura.
Fuja do estresse caminhando em bosques e jardins, de preferência com os pés descalços.

2 - Tradição Cristã
Ritual Para Desenvolver a Intuição.
Vá a um local tranqüilo, acenda um incenso de artemísia ( ou outro de sua preferência ), relaxe o seu corpo e pense nas coisas que gostaria de prever. Depois guarde as cinzas do incenso numa caixinha e coloque num lugar onde ninguém mexa ( seu altar por exemplo ).
Quando quiser descobrir algo, segure a caixinha e reze o salmo 91.

SALMO 91
( A segurança daquele que se refugia em Deus )
Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo,
à sombra do Onipotente descansará.
Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio,
a minha fortaleza e nele confiarei.
Porque ele te livrará do laço do passarinheiro,
e da peste perniciosa.
Ele te cobrirá com suas penas,
e debaixo das suas asas estarás seguro
A sua verdade é escudo e broquel.
Não temerás espanto noturno,
nem seta que voe de dia.
Nem peste que ande na escuridão,
nem mortandade que assole ao meio dia.
Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita,
mas tu não serás atingido.
Somente com os teus olhos olharás
e verás a recompensa dos ímpios.
Porque tu, ó Senhor, és o meu refúgio!
O Altíssimo é a tua habitação.
Nenhum mal te sucederá,
nem praga alguma chegará à tua tenda.
Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito,
para te guardarem em todos os teus caminhos.
Eles te sustentarão nas suas mãos
para que não tropeces com o teu pé em pedra.
Pisarás o leão e o áspide,
calcarás aos pés o filho do leão e a serpente.
Pois que tão encarecidamente me amou também
eu o louvarei; po-lo-ei num alto retiro,
porque conheceu o meu nome.
Ele me invocará, e eu lhe responderei;
estarei com ele na angústia,
livra-lo-ei, e o glorificarei.
Dar-lhe-ei abundância de dias
e lhe mostrarei a minha salvação.
3 - Tradição Wicca
Ritual das Velas – para ativar a clarividência e a intuição.

Material :
• Uma vela branca,
• Três velas azuis ou violeta,
• Caldeirão,
• Água da fonte, de chuva, filtrada ou mineral (sem gás),
• Folhas secas,
• Incenso,
• Uma pedra da lua ou ametista.

Totalmente nu(a) ou com uma veste ritual branca, na hora da lua (Veja tabela no final da página);
Pegue seu material, risque com giz o círculo mágico no chão;
Entre no círculo com todo o material;
Coloque a água dentro do caldeirão, acenda as velas e o incenso;
A vela branca deve ficar junto ao caldeirão, as velas azuis ou violeta devem cercar você e o caldeirão, formando um triângulo;
Invoque a Deusa e o Deus.

Diante do caldeirão, com as palmas das mãos voltadas para ele, diga em voz alta:
"Minha amiga lua, irmã e mãe!,
limpa as nuvens de minha visão.
Revela o que está oculto.
Mostre-me o que preciso saber.
Revela-me a verdade.
Para que eu possa escolher
o caminho mais sábio."
Faça alguns minutos de meditação. Sinta a energia fluindo. Pegue as folhas secas e jogue-as em torno de você e do caldeirão, pronunciando as seguintes palavras :
"Eu atraio as forças místicas.
Eu chamo as forças da natureza.
Eu recebo as respostas.
A verdade me é desvelada".
Pegue a pedra da lua ou ametista, coloque-a no caldeirão. Imponha suas mão sobre a água e faça a pergunta que desejar. Pegue a vela branca e vá pingando a cera dentro do caldeirão. A cera formará uma imagem que revelará o que você deseja saber. Para terminar o ritual, agradeça às entidades que estiveram presentes, desfaça o círculo e apague as velas. Retire sua pedra do caldeirão enxugue e guarde. A água, as velas e as folhas deverão ser jogadas fora, em água corrente ou em uma mata, praça ou parque.
Obs : Este Ritual é também muito utilizado para a ativação da intuição de iniciados em diversas artes divinatórias tais como : Tarô, Runas, I-Ching, Astrologia, Numerologia, etc.

Carlos Roberto ( Amon Sol )

-----------------------------------------

Como encontrar sua intuição

Diferencie pensamentos de intuição e tenha real poder pessoal
Falar em intuição é fácil, difícil é saber distingui-la de um mero pensamento. Teoricamente, todos os seres humanos são intuitivos, pois a intuição é nossa própria voz que chega direto à nossa mente e coração, sem influências e más interpretações. Ela não tem, na verdade, nada de místico.Ela é real e faz parte de nossas vidas desde sempre.
O que acontece é que vivemos numa sociedade na qual o silêncio é pouco aproveitado e valorizado. Se estamos sozinhos, nos fazemos companhia criando um diálogo sem fim dentro da mente, como se fôssemos pessoas tagarelas, pulando de um assunto a outro, sem muita conexão, apenas para preencher o vazio.

Conexão consigo mesmo

E, quando estamos com alguém, pensamos ser estranho ficarmos em silêncio, pois a sociedade impõe "fazermos sala", darmos atenção, etc. Então, o que realmente preenche nossas vidas são uma série de pensamentos artificiais de coisas que precisamos fazer, de situações que já se foram, de preocupações, ansiedades, justificativas internas e um monte também de besteiras com quais não precisaríamos perder nosso tempo.
Mesmo assim, de vez em quando somos brindados com um momento de grande lucidez e calma, no qual temos certeza do que precisamos fazer. Quando isso se dá, sabemos que estamos experimentando intuição. Porém, como se pensa que é algo do qual não temos controle, acreditamos que é um momento especial que somente poucas pessoas podem vivenciar e continuamos presos em nossas rotinas de dúvidas.
Por isso, aqui vão algumas dicas de como acessar a intuição todos os dias, melhorando sua qualidade de vida:
  • Cultive o silêncio, mesmo quando estiver sozinho. Você não precisa pensar o tempo todo para ser eficiente;
  • Pensar é diferente de ter pensamentos. Isso significa que é melhor ter qualidade do que quantidade. Se você já decidiu algo, ficar pensando e repensando se é mesmo o que devia ter feito, só irá lhe deixá-lo mais inseguro e desgastado;
  • Foque mais no presente. Lembrar do passado e projetar o futuro também gasta energia e tempo precioso. Além disso, lhe impedem de prestar atenção ao que realmente é importante no seu dia-a-dia;
  • Todos os dias reserve um momento para entrar em conexão consigo mesmo. Tente perceber o que realmente está sentindo e quais são os pensamentos mais frequentes. Pode ser que você esteja se enganando ou não se permitindo realizar algo e, isso só é possível de perceber quando nos aquietamos;
  • Não duvide de si mesmo. Se você sentir que deve fazer algo, faça. Não se ridicularize ou se deixe vencer pelo raciocínio. Muitas vezes a intuição nos leva por caminhos improváveis que são exatamente aquilo que precisamos para sermos felizes.
-----------------------------------------
A importância da intuição
Não é fácil conceituar a intuição. Se perscrutarmos os dicionários, encontraremos algo do tipo: a intuição é o ato de ver, perceber, discernir, pressentir 3. Fica-nos, então, aquela impressão de que a intuição é o ato de ver algum objeto ou fenômeno de maneira diferente daquela normalmente vista pela maioria das pessoas que olham para esse objeto ou fenômeno. Por exemplo: bilhões de pessoas, no decorrer de milhares de anos, já devem ter se deparado com um cenário, ao cair da tarde, onde, por trás de uma macieira repleta de frutos suspensos por pedúnculos, visualiza-se a Lua, fixa no firmamento. Quantos viram algo além de maçãs e da Lua? Pois é bem possível que num cenário como este e em seu sítio, em Woolsthorpe, o jovem Isaac Newton, com apenas 24 anos de idade, tenha visualizado, além de maçãs e da Lua, a inércia retilínea e a atração entre corpos com massa. Entre a visão normal, ou o ato puro e simples de olhar, e a visão sofisticada, qual seja, o ato de ver, de perceber, de discernir, de pressentir, reside o segredo da intuição, também descrita como a contemplação pela qual se atinge a verdade por meio não racional 3. Vamos, então, trabalhar um pouco mais este conceito no sentido de esclarecer o que aqui entendemos por verdade e por que o processo intuitivo seria não racional.
O cientista é, diferentemente dos outros, um homem que procura pela verdade e que, portanto, assume a existência dessa verdade. Nessa procura, admite como certo o que poderíamos chamar de verdade provisória. Digamos, então, que esta última seja o que consideramos como verdade científica, e o que a distingue das demais verdades provisórias, encontradas pelos que não são cientistas, seria o seu acoplamento ao método científico ou à experimentação. Para resumir, poderíamos dizer que a verdade científica é uma verdade provisória tomada por empréstimo da natureza e da forma como ela aparenta ser 4. As hipóteses e conjecturas científicas assumem, com freqüência, esse papel de verdades científicas. Digamos, então, que o primeiro passo, mas não o único e/ou o derradeiro, para chegarmos às verdades científicas seria a contemplação da natureza.
A não racionalidade, atribuída à intuição, retrata o seu caráter essencial, mas não engloba, propriamente, todo o processo intuitivo. Digamos que se refere ao insight ou estalo ou, ainda, à percepção de alguma coisa estranha, não notada nas outras vezes em que se observou o mesmo objeto ou fenômeno. É óbvio que esta percepção, ao ser trabalhada racionalmente, poderá vir a se constituir numa conjectura ou hipótese. No entanto, mesmo antes de formularmos uma conjectura ou hipótese, já estamos frente a algo a que podemos associar o conceito de verdade provisória. Existe um conceito popular a dizer: Gato escaldado tem medo de água fria. Seria isto equivalente a admitir que o gato raciocina? Seria isto coerente com a afirmação de que o gato formula hipóteses (a água queima) e as generaliza (as próximas águas queimarão)? Provavelmente não! Podemos, pelo exemplo, simplesmente inferir que o gato está dotado de uma intuição primitiva e da capacidade de memorizar fatos e, em conseqüência disso, em condições de aprender por um meio não racional.
Se a ciência experimental começa pela intuição, poderíamos concluir que o intuitivismo é a base fundamental de todos os conhecimentos humanos oriundos das ciências empíricas. É importante não confundir intuitivismo com intuicionismo. Este último relaciona-se à doutrina que faz da intuição o instrumento próprio do conhecimento da verdade: ver para crer. Mesmo porque o cientista parte da contemplação do que realmente existe, e interpreta esta verdade seguindo um raciocínio lógico aprisionado ao método científico. O cientista, então, parte da verdade (intuitivismo) e procura por novas verdades científicas por meio da construção e da corroboração de teorias. Afirmar que a ciência começa pela intuição é, portanto, bem diferente de dizer que a ciência começa pela observação. Críticas a este segundo posicionamento podem ser encontradas no livro de Chalmers 5 e o contraste entre as duas posições está relatado no artigo, já citado, que escrevi sobre o método científico 4.
É comum contemplarmos a natureza por vias indiretas. Newton, por exemplo, conhecedor da inércia circular de Galileu, viu a Lua em movimento e deve ter associado este movimento à desnecessidade de um pedúnculo para que a Lua permanecesse a uma distância fixa da Terra, o que não acontecia com as maçãs. Ou seja, Newton contemplou a natureza com conhecimentos adquiridos em seus estudos, o que é diferente de observar um fenômeno sem conhecimento algum.
Einstein, por outro lado, contemplou a natureza utilizando-se unicamente da imaginação e de seus conhecimentos prévios, deixando a observação momentaneamente de lado. Seus conhecimentos sobre eletromagnetismo, aos quinze anos de idade, relacionavam-se a brincadeiras com uma bússola ganha na infância e ao que pôde aprender no segundo grau a respeito do eletromagnetismo vigente na época. Certamente ouviu falar sobre a experiência de Oersted, em que a bússola sofre uma deflexão ao ser colocada nas vizinhanças de um fio conduzindo uma corrente elétrica. A teoria de Maxwell explicava o fenômeno afirmando que o campo elétrico gerado por cargas em movimento (corrente elétrica) manifestar-se-ia em objetos em repouso (no caso, a bússola) como um campo magnético; daí a deflexão sofrida pela bússola. De alguma maneira, parte do campo elétrico transformava-se em magnético em virtude do movimento. Por um mecanismo do mesmo tipo, pelo menos em sua origem, a teoria de Maxwell explicava também o caráter eletromagnético da luz: campos elétricos e magnéticos iriam se alternando à medida que a luz se propagasse. Em essência, foram essas as referências utilizadas pelo jovem Einstein para construir o cenário onde visualizou o nascimento de sua teoria da relatividade. Ele simplesmente imaginou estar lado a lado com uma onda eletromagnética. E percebeu que, a ser verdadeira a teoria de Maxwell, neste cenário construído os campos elétrico e magnético estariam em repouso. Como explicar, neste repouso, a alternância entre os campos elétrico e magnético? Como explicar a coerência da teoria de Maxwell frente ao que lhe pareceu ser um absurdo? A saída encontrada foi conjeturar sobre a impossibilidade em se acompanhar uma onda eletromagnética. Daí, para afirmar que a constante c, inerente às equações do eletromagnetismo, é universal e independente do referencial utilizado, ele se valeu de um trabalho de refinamento de sua conclusão primeira, o que foi possível graças a seus conhecimentos sobre a teoria de Maxwell bem como à sua tentativa de compatibilizá-la com a relatividade de Galileu; este trabalho foi concluído por Einstein aos 25 anos de idade e publicado sob o título de Sobre a eletrodinâmica dos corpos em movimento.
-----------------------------------------
A intuição é o conjunto de conhecimentos próprios adquiridos ao largo das múltiplas experiências do Ser, que lhe aflora à mente espontaneamente, sem necessidade de ninguém lhe transmitir nada, pois que tais conhecimentos pertencem ao seu universo peculiar e subjetivo de conhecimentos.
INTUIÇÃO - ponte de ligação entre a mente e o intelecto, ou seja, entre a individualidade e a personalidade.

[67 Volume 1 página 19 ]
Intuição [do latim intueri + ção]
  • 1. Ato de ver, perceber, discernir de forma clara ou imediata.
  • 2. Ato ou capacidade de pressentir.
  • 3. Percepção na sua plenitude de uma verdade que normalmente não se chega por meio da razão ou do conhecimento discursivo ou analítico.
Intuição [do latim intueri= intuir + ção]
  • 1. Contemplação pela qual se atinge em toda a sua plenitude uma verdade de ordem diversa daquelas que se atingem por meio da razão ou do conhecimento discursivo ou analítico.
Não vos espanteis com esta incompreensível intuição. Começai por não negá-la e ela aparecerá. O grande conceito que a ciência afirmou (embora de forma incompleta e com conseqüências erradas), a evolução, não é uma quimera e estimula vosso sistema_nervoso para uma sensibilidade cada vez mais delicada, que constitui o prelúdio dessa intuição. Assim se manifestará e aparecerá em vós essa psique_mais_profunda, por lei natural de evolução, por fatal maturação que está próxima. Deixareis de lado, para uso da vida prática, vossa psique_exterior_e_de_superfície, a razão, pois só com a psique interior que está na profundeza de vosso ser, podereis compreender a realidade mais verdadeira, que se encontra na profundeza das coisas. Esta é a única estrada que conduz ao conhecimento do Absoluto.
· Só entre semelhantes é possível a comunicação;
· para compreender o mistério que existe nas coisas deveis saber descer no mistério que está em vós.
Não ignorais isto totalmente; olhais admirados tantas coisas que afloram de vossa consciência mais profunda, sem poderdes descobrir as origens:
· instintos,
· tendências,
· atrações,
· repulsas,
· intuições.
Daí nascem irresistíveis todas as maiores afirmações de vossa personalidade. Aí está o vosso verdadeiro e eterno Eu. Não o Eu exterior, aquele que sentes mais quando estais no corpo, aquele Eu que é filho da matéria e que morre com ela. Esse Eu exterior, essa consciência_clara, expande-se no contínuo evolver da vida, aprofunda-se para aquela consciência_latente que tende a vir à tona e a revelar-se.
Os dois pólos do ser — consciência exterior clara e consciência interior latente — tendem a fundir-se.
A consciência clara experimenta, assimila, imerge na latente os produtos assimilados através do movimento da vida — destilação de valores, automatismos, que constituirão os instintos do futuro. Assim expande-se a personalidade com essas incessantes trocas e se realiza o grande objetivo da vida. Quando a consciência latente tiver se tornado clara e o Eu tiver pleno conhecimento de si mesmo, o homem terá vencido a morte.
O estudo das ciências psíquicas é o mais importante que podeis hoje fazer. O novo instrumento de pesquisa que deveis desenvolver e se está desenvolvendo, naturalmente, é a consciência latente. Já olhastes bastante para fora de vós. Agora resolvei o problema de vós mesmos e tereis resolvido todos os outros problemas. Habituai aos poucos vosso pensamento a seguir esta nova ordem de idéias. Se souberdes transferir o centro de vossa personalidade para essas camadas_profundas, sentireis revelar-se em vós novos sentidos, uma percepção anímica, uma faculdade de visão direta; esta é a intuição da qual vos falei. Purificai-vos moralmente e refinai a sensibilidade do instrumento de pesquisa, que sois vós, e só então podereis ver.
Aqueles que absolutamente não sentem essas coisas, os imaturos, ponham-se de lado; torneiem-se até chafurdarem-se na lama de suas baixas aspirações e não peçam o conhecimento, precioso prêmio concedido apenas a quem duramente o mereceu.
Tangidos pela necessidade, na sede de ciência ou na angústia do amor que transpõe abismos, vencestes pesadas fronteiras_vibratórias, encontrando-vos na estaca zero do caminho diferente que se vos antolha. Enquanto vossa organização_fisiológica repousa a distância (durante o sono), exercitando-se para a morte, vossas almas quase_libertas partilham com os espíritos a fraternidade e a esperança, adestrando faculdades e sentimentos para a verdadeira vida.
Naturalmente, não podereis guardar plena recordação desta hora, em retomando o envoltório carnal, em virtude da deficiência do cérebro, incapaz de suportar a carga de duas vidas simultâneas; a lembrança dos entendimento persistirá, contudo, no_fundo_de_vosso_ser, orientando-vos as tendências superiores para o terreno da elevação e abrindo-vos a porta intuitiva para que vos assista o pensamento fraternal dos espíritos orientadores.
[25 - página 24] -- A preleção de Eusébio
Informações passadas pelo Instrutor de André Luiz a um encarnado, durante o sono
Amanhã — informou o Instrutor — te erguerás do leito sem a lembrança integral do nosso entendimento de agora, porque o cérebro_de_carne é um instrumento delicado, incapaz de suportar a carga de duas vidas, mas idéias novas surgir-te-ão formosas e claras, com respeito ao bem que necessitas praticar. A intuição, contudo, que é o disco milagroso da consciência, funcionará livremente, retransmitindo-te as sugestões desta hora de luz e paz, qual canteiro de bênçãos ofertando-te flores perfumosas e espontâneas. Chegado esse momento, não permitas que o cálculo te abafe o impulso das boas obras. No coração hesitante, o raciocínio vulgar luta contra o sentimento renovador, turvando-lhe a corrente límpida, com o receio de ingratidão ou com ruinosa obediência aos preconceitos estabelecidos.
[96 - págna 173] - André Luiz
-----------------------------------------
A Intuição é mais Forte que a Razão
Devemos sempre dominar a nossa impressão perante o que é presente e intuitivo. Tal impressão, comparada ao mero pensamento e ao mero conhecimento, é incomparavelmente mais forte; não devido à sua matéria e ao seu conteúdo, amiúde bastante limitados, mas à sua forma, ou seja, à sua clareza e ao seu imediatismo, que penetram na mente e perturbam a sua tranquilidade ou atrapalham os seus propósitos. Pois o que é presente e intuitivo, enquanto facilmente apreensível pelo olhar, faz efeito sempre de um só golpe e com todo o seu vigor. Ao contrário, pensamentos e razões requerem tempo e tranquilidade para serem meditados parte por parte, logo, não se pode tê-los a todo o momento e integralmente diante de nós. Em virtude disso, deve-se notar que a visão de uma coisa agradável, à qual renunciamos pela ponderação, ainda nos atrai. Do mesmo modo, somos feridos por um juízo cuja inteira incompetência conhecemos; somos irritados por uma ofensa de carácter reconhecidamente desprezível; e, do mesmo modo, dez razões contra a existência de um perigo caem por terra perante a falsa aparência da sua presença real, e assim por diante. Em tudo se faz valer a irracionalidade originária do nosso ser.
Vontade Intuitiva
Devemos tomar como guias das nossas considerações não as imagens da fantasia, mas sim conceitos claramente pensados. Na maioria das vezes, entretanto, ocorre o contrário. Mediante uma investigação mais minuciosa, descobriremos que, em última instância, o que decide as nossas resoluções não são, na maioria das vezes, os conceitos e juízos, mas uma imagem fantasiosa que representa e substitui uma das alternativas.
(...) Em especial na juventude, a meta da nossa felicidade fixa-se na forma de algumas imagens que pairam diante de nós e amíude persistem pela metade da vida, ou até mesmo por toda ela. São verdadeiros fantasmas provocadores: se alcançados, esvaecem-se, e a experiência ensina-nos que nada realizam do outrora prometido.
(...) É bem natural que assim se passe, pois, por ser imediato, o que é intuitivo faz efeito mais directo sobre a nossa vontade do que o conceito, o pensamento abstracto, que fornece apenas o universal sem o particular. É justamente este último que contém a realidade: ele só pode agir indirectamente sobre a nossa vontade. E, no entanto, só o conceito mantém a palavra: portanto, é índice de formação cultural confiar apenas nele. Decerto, por vezes precisará de elucidação e paráfrase mediante certas imagens, mas, cum grano salis [com a devida limitação].
Arthur Schopenhauer, in ''Aforismos para a Sabedoria de Vida'
O seu Instinto Leva-o mais Longe que o seu Intelecto
«Homem, conhece-te a ti mesmo» - toda a sabedoria se encontra concentrada nesta frase. Auto-análise, depois acção - a escola da sabedoria. Quanto mais cedo descobrir os factos acerca da sua pessoa mais fácil será a jornada da vida. Para tirar o máximo de nós, temos de conhecer os recursos que possuímos e depois aperfeiçoá-los e utilizá-los. Pelo controlo das emoções uma pessoa consegue superar quase todas as dificuldades que habitualmente estragam a vida.
(...) Sem olhar à profundidade dos seus sentimentos, à vastidão dos seus conheciemntos, o homem aparentemente completo não o é sem que tenha aperfeiçoado as suas tendências. Quem quiser melhorar os condicionalismos externos tem de começar por melhorar os internos. Quando as coisas não estão a correr bem há qualquer coisa em mim a dizer-mo. Às vezes tenho de pensar muito para descobrir o erro e como corrigi-lo. Depois de resolver o problema sinto-me novamente bem. Isto prova que «O seu instinto leva-o mais longe que o seu intelecto».
Alfred Montapert, in 'A Suprema Filosofia do Homem'
Instinto Trabalhado
Só pode inspirar a acção, servir de credo, o pensamento que se tenha tornado maquinal, instintivo. Perigo de nos analisarmos demasiadamente: as veias vivas do temperamento ficam, dessa maneira, excessivamente dilucidadas e tornadas maquinais, devido à familiaridade. O que é preciso, pelo contrário, é a arte de dar livre curso aos impulsos espirituais, deixando-os agir, mecanicamente, sob o estímulo. Há o manual do catecismo - por de mais conhecido e postiço - e o maquinal do instinto. É preciso favorecer, explorar, reconhecer e apoiar o instinto, sem lhe roubar o vigor por meio da reflexão. Mas é preciso reflectir nele, para o acompanhar na acção e substituí-lo nos momentos de surdez.

Cesare Pavese, in 'O Ofício de Viver'
-----------------------------------------

Criatividade e intuição

Diversas técnicas de criatividade que tenho apresentado enfatizam a importância dos métodos analíticos para estudo do problema e tomada de decisão. Contudo, em algumas situações, nem sempre dispomos de informações suficientes para a tomada de decisão, seja pelaCitações sobre intuição dificuldade, seja pelos altos custos envolvidos na obtenção de dados. Há também situações em que as informações disponíveis apontam para vários caminhos, todos considerados válidos, tornando a decisão muito difícil. Em outras ocasiões, a situação exige decisões muito rápidas, sem tempo para análises mais profundas e estruturadas. Nestas situações, temos de agir com base em nossa experiência e numa voz interior que nos diz o que deve ser feito, qual o melhor caminho a seguir.
Esta “voz interior” é chamada de intuição, freqüentemente mal compreendida e confundida com magia e paranormalidade; às vezes renegada e outras vezes usada temerariamente. Assim sendo, antes de prosseguirmos é prudente deixar claro qual o significado de intuição adotado neste artigo.
Intuição: 1. Julgamento feito com base em informações incompletas; conhecimento ou sentimento resultante de processos mentais ou sensoriais inconscientes. 2. Ato de ver, perceber, discernir; percepção clara ou imediata; discernimento. 3. Ato ou capacidade de pressentir, pressentimento.
Sem nenhuma dúvida, a intuição tem um papel importante no processo de decisão e no avanço do conhecimento. Como explicar, por exemplo, que o filosofo grego Demócrito, que viveu de 460 AC a 370 AC, tenha concebido a teoria atômica, segundo a qual tudo o que existe é composto por elementos indivisíveis chamados átomos, mais de vinte séculos antes da invenção dos recursos tecnológicos que permitiram estudar a estrutura da matéria.
Intuição e análise: o par perfeito

O que foi dito até agora pode levar a conclusão errônea de que intuição e análise são duas abordagens de tomada de decisão distintas. Na verdade a divisão entre intuição e análise reflete uma visão ultrapassada da mente humana que não mais encontra suporte na ciência.

Descobertas recentes de como a mente trabalha derrubaram a velha concepção de que análise e intuição são duas funções separadas que ocorrem em duas diferentes partes do cérebro. Na nova visão, análise e intuição são tão entrelaçadas que é impossível separá-las. Elas estão juntas em todas as situações. Não há boa análise sem intuição, e nem boa intuição sem análise. Alguns cientistas denominam o novo modelo do cérebro de “memória inteligente”, onde a análise coloca elementos em seu cérebro e a intuição os retira e os combina para criar algo novo ou tomar uma decisão. Fonte: Coup D’Oeil: Strategic Intuition in Army Planning, William Duggan, Columbia Business School.
Memória inteligente é o processo de raciocínio geralmente inconsciente e instantâneo que conecta fragmentos de memória e de conhecimento a fim de gerar novas idéias. É a memória que nos ajuda a tomar as decisões do dia-a-dia, que nos traz a lembrança de uma boa piada e que nos dá aquela idéia brilhante para a solução de um problema. A memória inteligente atua fazendo as conexões entre as experiências individuais e as informações armazenadas no nosso cérebro. À medida que você envelhece e agrega mais experiências e conhecimento, sua memória inteligente se torna mais forte e mais rápida; sua intuição se torna mais refinada, mais versátil e mais confiável.
Forças e fraquezas da intuição

A intuição tem tido um papel extraordinário no desenvolvimento das artes, ciência e tecnologia. Sua importância tem sido reconhecida por cientistas, filósofos, artistas, homens de negócio e atletas, entre outros. Contudo ela não perfeita e infalível, como alguns acreditam e apregoam. A confiança exagerada na nossa intuição pode nos levar ao desastre. “Ninguém pode ditar meu comportamento”, disse a princesa Diana na sua última entrevista antes do acidente fatal. “Eu ajo segundo meu instinto, e instinto é o meu melhor conselheiro”.

O melhor conselho sobre intuição: Confie, mas verifique. Você não deve enganar a si próprio e adote sempre a premissa de que você é a pessoa mais fácil de ser enganada.
Outro conselho: eduque sua intuição. Sim, ela pode ser educada. Quanto mais conhecimento e experiência você acumular, mais rica a sua bagagem cultural e mais poderosa e confiável a sua intuição. Ao contrário do que alguns pensam, a intuição não é o substituto para a ignorância e desconhecimento dos fatos. Nestes casos, a designação mais certa é palpite irresponsável.
Conclusão: a intuição tem um papel fundamental no processo criativo. É a intuição que faz a conexão entre as informações resultantes da análise do problema com as experiências e conhecimentos armazenados no nosso cérebro. É esta conexão que resulta naquele toque pessoal de originalidade na solução de problemas. A intuição também nos permite superar as lacunas de informação que possam ocorrer na fase analítica.
-----------------------------------------

Intuição e Inspiração

Sérgio Biagi Gregório
1. CONCEITO DE INTUIÇÃO
A palavra intuição (do latim in tueri = ver em, contemplar) significa um conhecimento direto, imediato do conjunto de qualidades sensíveis e essenciais dos objetos e de suas relações, sem uso do raciocínio discursivo (1).
2. TIPOS DE INTUIÇÃO
Dentre os vários tipos de intuição, destacamos três:
1º) intuição sensível ou empírica: visão da laranja;
2º) intuição intelectual: o todo é maior que as partes;
3º) intuição metafísica: intuição de Deus.
Em filosofia, aceita-se somente a intuição intelectual, porque é a única que se pode provar (1).
3. INTUIÇÃO INTELECTUAL
Intuição é um ato simples, por meio do qual captamos a realidade ideal de algo.
Intelectual refere-se ao trânsito ou à passagem de uma idéia à outra, àquilo que Aristóteles desenvolve sob a forma de lógica.
Assim, intuição e intelectual são termos que se excluem, que se repelem.
O essencial no pensamento de Fichte, Schelling e Hegel é considerar a intuição como método da filosofia. E por que consideram a intuição intelectual como método da filosofia?
Porque dão à razão humana uma dupla missão:
1ª) penetrar intuitivamente na essência das coisas;
2ª) partindo dessa intuição intelectual, construir, de modo puramente apriorístico, toda a armação, toda a estrutura do universo e do homem dentro do próprio universo (2).
4. FATORES FAVORÁVEIS À MANIFESTAÇÃO DA INTUIÇÃO
1º) - Desejar imperiosamente solucionar o problema.
2º) - Acumular ricos conhecimentos práticos e teóricos.
3º) - Trabalhar e pensar longa e intensamente.
4º) - Passar rapidamente de uma atividade à outra.
5º) - Ter a mente flexível e aberta ao novo.
5. CONHECIMENTO INTUITIVO E CONHECIMENTO CIENTÍFICO
A distinção entre ambos pode ser expressa da seguinte forma: enquanto o conhecimento intuitivo se reduz a um ato, simples e individual, o conhecimento científico resulta de um processo complexo de análise e de síntese.
o conhecimento intuitivo consiste em um ato de experiência sensível ou espiritual, já o conhecimento científico toma a experiência como primeiro passo ou estágio inicial de um longo processo de pesquisa.
o conhecimento intuitivo é de ordem subjetiva, enquanto o conhecimento científico fundamenta-se na objetividade e na evidência dos fatos, e, porque essa objetividade e evidência são demonstradas lógica ou experimentalmente, o conhecimento científico adquire o caráter objetivo de validade geral e independente de intuições (3).
6. INTUIÇÃO, RAZÃO E ESPIRITISMO
O conhecimento vindo através do intelecto nos faz apreender o mundo ambiente, ao passo que a intuição nos dá o discernimento das coisas divinas;
O conhecimento intelectual se estriba na razão que mediu, pesou, dividiu, analisou, concluiu;
A intuição, porém, se apóia na fé, porque somente crê e confia. O campo da razão vai até onde a inteligência alcança, mas o da intuição não têm limites, porque é o campo da consciência universal. Por isso, às vezes diz “sim”, quando a intuição diz “não”; uma fala “prudência”, a outra ordena “confiança”; uma diz “raciocina primeiro”, mas a outra determina “crê e segue” (4).
7. CONCEITO DE INSPIRAÇÃO
Inspiração - do latim inspiratio do verbo aspiro, soprar para dentro. Segundo o Dicionário Aurélio, qualquer estímulo ao pensamento ou à atividade criadora.
Na aspiração, quando o espírito humano, no seu dinamismo, dirige a um valor puro, como liberdade, justiça, a aspiração torna-se inspiração.
Fala-se muito na inspiração dos artistas, esse misterioso poder de criação espontâneo, que parece como se uma potência exterior viesse em auxílio daquele.
Muitos artistas realizam obras num estado de mínima consciência, apercebendo-se do que fizeram quase no fim ou no término do que encetaram. Alguns chegam a afirmar um caráter de mediunidade, como se o artista não passasse de um instrumento dócil às mãos de um ser misterioso que o guiasse na realização de sua obra, como Mozart que ouvia os seus concertos, num só ato, escrevendo-os, depois, por memorização (5).
8. MÉDIUNS INTUITIVOS E MÉDIUNS INSPIRADOS
Médiuns Intuitivos: o papel desta categoria de médiuns é ser intérprete dos Espíritos. Enquanto o médium mecânico age como uma máquina, o médium intuitivo, para transmitir o pensamento, deve primeiramente compreendê-lo, para depois apropriar-se dele e traduzi-lo fielmente, embora esse pensamento não seja o seu.
Médiuns Inspirados: é uma variedade da mediunidade intuitiva, entretanto a intervenção de um poder oculto é ainda bem menos sensível, ou seja, no inspirado é mais difícil distinguir-se o pensamento próprio daquele que lhe é sugerido. O que caracteriza este último é sobretudo a espontaneidade (6).
INTUIÇÃO, INSPIRAÇÃO E MEDIUNIDADE
Intuição significa um conhecimento direto, imediato do conjunto das qualidades sensíveis e essenciais dos objetos e das suas relações, sem uso do raciocínio discursivo. Inspiração quer dizer soprar para dentro. É o estado de exaltação emotiva, de íntima e misteriosa iluminação, em que, pela intuição estética, o artista apreende o seu objeto de modo impreciso, mas em plenitude.
Por essas definições depreende-se que na intuição o indivíduo busca o conhecimento por si mesmo, penetrando-o através de seus próprios esforços. Por outro lado, na inspiração, a descoberta vem espontaneamente, transparecendo em muitos artistas a existência de uma percepção extra-sensorial - mediunidade. Muitos realizam suas obras num estado de mínima consciência, como é o caso de Mozart, que depois do êxtase, escrevia seus acordes de cor.
Teoricamente não é difícil separar esses dois conceitos. Mas como precisar, com certeza, onde começa um e onde termina o outro? A doutrina dos Espíritos, codificada por Allan Kardec, fornece-nos uma luz. De acordo com seus postulados, estamos envoltos pela presença de Espíritos, que tanto podem influenciar-nos para o bem quanto para o mal. Neste sentido, o insight de uma descoberta poderia, perfeitamente, provir do sopro de um Espírito amigo.
No desenvolvimento desses raciocínios, o homem de gênio poderia ser apontado como o ser exclusivamente intuitivo. Isso não é impossível, visto que ele, em outras encarnações, conquistou, através dos próprios esforços, condições para tal fim. Mesmo assim, não se invalida a influência exercida pelos bons Espíritos. Estes podem utilizar-se da matéria cerebral do gênio e comunicar-lhe as invenções necessárias para a evolução da humanidade.
No estudo da psicografia, Kardec usa os termos médium intuitivo e médium inspirado. O médium intuitivo escreve e percebe que as idéias são do Espírito comunicante e com o médium inspirado isto não ocorre. Afirma, ainda, que o segundo é um caso especial do primeiro. Ele considera a intuição e a inspiração como mediunidade, ao contrário dos filósofos, que tratam da intuição como sendo uma abstração do próprio sujeito cognoscente.
Excluindo-se a terminologia exclusivamente mediúnica de Kardec, podemos dizer que a intuição refere-se ao fenômeno anímico, enquanto a inspiração, ao fenômeno mediúnico. Estejamos atentos para separar um do outro.
QUESTÕES
Qual o conceito de intuição?
Qual o conceito de inspiração?
Quais são os fatores favoráveis à manifestação da intuição?
Como se distingue o conhecimento intuitivo do conhecimento científico?
O que distingue o médium intuitivo do médium inspirado?
TEMAS PARA DEBATE
A intuição vai além da razão. Ela se apoia na fé?
O campo da razão vai até onde a inteligência alcança, mas a intuição não tem limites. Comente.
Em termos mediúnicos, é possível separar a intuição da inspiração? Como?
-----------------------------------------
MÉTODO DE ENSINO INTUITIVO
O método de ensino intuitivo generalizou-se, na segunda metade do século XIX, nos países da Europa e das Américas, como principal elemento de renovação do ensino, juntamente com a formação de professores. Ficou conhecimento como o método do ensino popular por ser considerado, entre os educadores, como o mais adequado à educação das classes populares. As raízes históricas do ensino intuitivo vinculam-se ao declínio do ensino escolástico e à ascensão dos preceitos da pedagogia moderna, preconizados por Bacon, Comenius, Rabelais, Locke, Condilac, Rousseau, Pestalozzi, Basedow, Campe e Froebel, entre outros. Em contraposição ao ensino livresco, o ensino intuitivo parte da premissa de que toda a educação deve começar pela educação dos sentidos. O método intuitivo, na definição de Buisson (1897, p. 9), “[...] é aquele que em todo ensino faz apelo a esta força sui generis, a este olhar do espírito, a este ímpeto espontâneo da inteligência em direção da verdade. Ele consiste não na aplicação de um ou outro procedimento, mas na intenção e no hábito geral de fazer agir, de deixar agir o espírito da criança em conformidade com o que nós chamávamos a pouco de instintos intelectuais”. Valorizando a intuição como elemento essencial do conhecimento, o método se divide em três graus, detalhados por BUISSON (1897): a intuição sensível, a intuição intelectual e a intuição moral. A intuição sensível é considerada como a primeira etapa do método, conhecida no ensino primário e nos jardins de infância sob a denominação de lições de coisas, consiste em ensinar as crianças a observar: ver, sentir, tocar, distinguir, medir, comparar, nomear, para depois conhecer, ou seja, educar os sentidos para depois exercê-los. A segunda forma de intuição – a intelectual – consiste no desenvolvimento da inteligência por meio do raciocínio, da abstração e reflexão, ultrapassando a intuição sensível. A intuição moral ocupa o terceiro grau no desenvolvimento do ensino intuitivo e consiste em educar a criança quanto nos aspectos morais e sociais. Colocado em circulação nas últimas décadas do século XIX, por meio das exposições internacionais, dos congressos pedagógicos, dos relatórios oficiais sobre a instrução pública, dos compêndios de pedagogia e manuais de ensino, esse novo saber pedagógico desembarcou na realidade brasileira na bagagem de nossos intelectuais ilustrados, trazendo os elementos de renovação pedagógica de que estavam ávidos. Apesar de não se constituir em um saber desconhecido entre nós, foi somente a partir da década de 1870 que começou a figurar na legislação, nos debates educacionais, nos projetos de reforma da instrução pública, nos relatórios dos professores das cadeiras de primeiras letras, nas cadeiras da escola normal, nos jardins de infância, na imprensa periódica e educacional e nas conferências pedagógicas. Ganhando ênfase no decorrer da década de 1880, o método atingiu seu apogeu com as reformas republicanas da instrução pública, a partir de 1890, as quais consolidaram o ensino intuitivo na escola primária graduada, nos jardins de infância e na escola normal. O método representou, juntamente com a formação de professores, um dos principais elementos da difusão da escolarização das classes populares nas últimas décadas do século XIX e nas primeiras do XX, no Brasil. As principais referências documentais são: BUISSON, Ferdinand (1878, 1897, 1912); HIPPEAU, Celestin (1871, 1885); CARVALHO, Leôncio (1879, 1883); BARBOSA, Rui (1882) (Ver Referências Documentais).
Analete Regina Schelbauer
-----------------------------------------
Desenvolvendo a Intuição
Muitas pessoas têm me questionado sobre técnicas ou ferramentas que podem utilizar para desenvolver a intuição e os poderes psíquicos.

Existem muitas formas de fazê-lo: o trabalho constante com os oráculos como o Tarô e o I Ching, a meditação, que pode incluir o uso de imagens (mandalas), mantras (verbalizados ou mentalizados), a chama de uma vela, a concentração na própria imagem diante do espelho, ou a observação da própria mente até que ela se aquiete.

James Van Praagh, um dos mais famosos médiuns americanos da atualidade, descreve em um de seus livros, as técnicas que utilizou para desenvolver e aprimorar seus poderes psíquicos.

" Comprei todos os livros que pude encontrar sobre poderes psíquicos ou desenvolvimento da mediunidade. Muitos desses livros descreviam diferentes técnicas para fazer evoluir a habilidade psíquica que todos possuímos. Algumas delas:

... Eu precisava segurar um objeto bem próximo aos meus olhos e verificar que sensações poderiam surgir a respeito daquilo que tinha em mãos. Essas sensações poderiam ter a forma de imagens, sons, nomes ou sensações. Outra técnica consistia em segurar o retrato de uma pessoa ou de um grupo de pessoas e escrever em um pedaço de papel todos os pensamentos que me ocorressem sobre as pessoas na foto, tais como suas idades, seus gostos, o que as desagradava, se estavam felizes, tensas, ou preocupadas a respeito de alguma coisa e assim por diante.

Um dos exercícios exigia a participação de um grupo de pessoas. Uma pessoa tinha que se sentar em uma cadeira de frente para as demais. Outra precisava postar-se de pé um passo atrás da pessoa sentada, fora de seu campo de visão, portanto. A pessoa sentada deveria descrever tudo o que sentisse a respeito da pessoa de pé. Seria a energia de um homem ou de uma mulher? Quais seriam as características mais destacadas dessa pessoa? Como eram suas roupas? A pessoa usava óculos?

Todos esses exercícios são concebidos para ajudar a pessoa interessada a utilizar suas sensações, e não seu lado racional, para captar o mundo ao seu redor. Logo, eu estava incorporando muitos deles ao meu cotidiano. Por exemplo, no meu caminho para o escritório, tentava adivinhar qual o elevador que chegaria primeiro ao térreo. Ou tentava intuitivamente visualizar as cores das roupas que meus colegas de trabalho estariam vestindo. Quanto mais exercitava minha intuição, mais meus palpites mostravam-se corretos.

Quando adquiri mais confiança na minha intuição, comecei a captar coisas sobre as pessoas - a ler as pessoas. Era minha maneira de sintonizar com o interior dos outros, em um nível emocional. Funcionava do mesmo jeito que utilizava com os retratos. Eu tentava captar o que estava se passando no íntimo das pessoas. Tratava-se de uma boa pessoa? Estaria escondendo alguma coisa? Era feliz ou triste? Quais seriam seus desejos na vida? O que a motivava? Registrava minhas sensações e então comparava com a pessoa física, de maneira a verificar se o que havia captado intuitivamente se encaixava com a realidade. No início levei algum tempo até descobrir que perguntas fazer a mim mesmo. Mas, depois, parecia que, em poucos segundos, eu era capaz de ler a pessoa.

Novamente, descobri que, quanto mais seguisse minha primeira intuição, mais era capaz de acertar. Precisava aprender a não ter medo de me perguntar. Será que a minha primeira sensação foi distorcida por meus preconceitos ou por meus julgamentos? Foi de fato a minha primeira sensação, ou já é um pensamento elaborado? Logo tornou-se claro para mim que aprender a confiar nos meus palpites e seguir meu instinto seria sempre válido, independente das minhas razões para fazê-lo ou do sentido que minha vida tomava.

Depois de um ano seguindo meu programa de desenvolvimento da intuição, minha sensitividade havia crescido enormemente. Não quero dar a você a impressão de que nunca erro. Claro que erro. Só quis explicar que, para mim, o modo mais fácil de ler as pessoas é através das emoções. As emoções são energias em estado bruto e, quer se dê conta ou não, a maioria das pessoas traz o coração à flor da pele.

Nos últimos dez anos, tive o privilégio de conversar com milhares de pessoas, através de consultas individuais, encontros de grupos, simpósios internacionais e, mais recentemente, no rádio e na televisão.
As experiências têm sido extremamente gratificantes, intensamente envolventes, do ponto de vista emocional e extraordinariamente positivas. Aprendi a me libertar dos condicionamentos do meu ego e permitir à minha vida dirigir-se para onde quiser me levar".

http://www.stum.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=2691
-----------------------------------------
Como desenvolver a Intuição Criativa?
Uma mente tensa e agitada é muito "barulhenta" para "ouvir" a intuição. O primeiro passo para aprender a escutar a própria intuição é aprender a verdadeira tranqüilidade mental e emocional.
Nesta aula, aprenderemos técnicas de como nos conectarmos com a intuição. Existem várias técnicas que podem ser resumidas em técnicas básicas, de forma a serem praticadas sem interferir muito em nossos compromissos do dia a dia. Estas são:
Respiração Básica
Relaxamento Básico
Concentração Básica
Meditação Básica
Iluminação Intuitiva Básica
Todos os exercícios devem ser feitos lentamente e com grande tranqüilidade. Podem ser feitos com os olhos abertos ou fechados. Se de olhos abertos, mantenha-os em um ponto fixo, não rígida, mas relaxadamente. O importante é "olhar para dentro" mentalmente, não fisicamente.
A imobilidade física ajuda, mas não é rigidez muscular. Esteja imóvel, não se force a ficar imóvel. E a "Imobilidade mental" também auxilia. Mas imobilidade mental não é expulsar pensamentos. Acompanhe o pensamento desejado, e apenas deixe fluir os outros pensamentos, não conscientemente escolhidos. Mas seja amável com estes outros convivas em sua casa mental.Talvez eles tenham alguma mensagem útil para você.
Se começar a agitar-se demais, por falta de hábito ou apenas por estar com muita tensão acumulada, não se force demais a continuar. Faça uma pausa, levante-se e retorne depois para o exercício. Não entre em violência consigo mesmo. Respeite e perceba o fluxo de sua energia interna.
Sentir sono é normal, no inicio da prática de relaxamento. E é até esporadicamente comum, inclusive para os praticantes mais avançados. Não se incomode com isso. Se preferir, antecipe o exercício para uma hora mais "ativa".
Pratique mais os exercícios que preferir e até que possa combiná-los. Mas às vezes experimente um de cada, por vários dias, para usufruir dos benefícios específicos que cada um possa ter.
Após um período especial de estresse, depressão ou desgaste físico, um exercício de relaxamento pode ser muito mais eficaz do que apenas descansar ou apenas o sono. E pode prepará-lo para poder efetivamente dormir melhor.
Respiração Básica
Sente-se em uma cadeira cômoda. Mantenha o peso do corpo na vertical. Respire de forma despreocupada, sem controlar o ritmo respiratório, apenas observando o inspirar e o expirar dos seus pulmões por 2 a 3 minutos, sem modificar nada, sem interferir. Sinta o ar fresco entrando e o ar quente saindo.
Depois, busque inspirar dilatando o diafragma e expirar contraindo o diafragma (o diafragma é aquela membrana que serve de base para os pulmões e sua distensão auxilia na expansão destes). Repare se é o seu normal ou se é o inverso do que normalmente faz. Pratique isso por 2 a 3 minutos.
Faça mais um minuto de respiração despreocupada. Expire diafragmaticamente, pelo dobro de tempo a mais do que inspira. Isto é, se inspirar naturalmente por 3 segundos, exale por 6 segundos. Se inspirar naturalmente por 5 segundos, exale por 10 segundos e assim sucessivamente. Faça isso por 3 a 5 minutos, mas não se preocupe com o relógio, apenas "sinta" o tempo. Termine com um minuto de respiração despreocupada.
Com a prática, busque dar uma pausa maior entre a inspiração e a expiração. Esta pausa é até desejar respirar, não precisar respirar. Procure sentir a energia acumulada no corpo pelo pulmão cheio, o coração batendo, neste intervalo. Sinta as artérias transportando o sangue renovado, o ar fresco se espalhando pelo corpo. Este último passo é a base da energização física e mental, além de desenvolver a concentração e a vontade, essenciais para os próximos passos.
Pratique em dupla com outra pessoa, uma observando se a outra está fazendo os passos de forma correta.
Relaxamento Básico
Procure uma posição confortável (sentada ou deitada), sem pressões sobre os músculos ou roupas muito apertadas.
De preferência faça a Respiração Básica por 1 a 3 minutos (o passo principal). Preste atenção a cada parte do corpo. Vá "sentindo-as" , passando em revista todo o corpo. Sinta o calor, o pulsar e o latejar do sangue, o peso dos músculos e a "vibração" dos nervos, por 2 a 3 minutos.
Retorne a cada área do corpo, agora imaginando "soltar" cada parte. Pode ajudar contraindo antes, de forma física ou usando a memória interna de contração, e depois soltando. Faça isso dos pés a cabeça, e retorne da cabeça aos pés, por alguns segundos. Faça isso rapidamente, de forma rápida e descontraída, sem forçar, até completar todo o corpo.
Após, envie "ondas" de sensação de relaxamento, ou imagens simbólicas que representem isso, ou ordene mentalmente ao seu corpo que relaxe. Por exemplo, visualize cores serenas como verde claro ou azul suave na área a ser relaxada, ou diga mentalmente "serenidade", "paz", "sossegue" ou apenas conceba a sensação de relaxamento.
Experimente todas as maneiras e verifique qual a melhor para você. Demore 10 a 15 segundos em cada parte do corpo. Comece pelos pés ou pela cabeça, como preferir, uma vez só (completando uma "passada" pelo corpo).
Com a prática, depois de 2 a 3 semanas fazendo a seqüência inteira, experimente de forma simplificada: concentre a atenção na parte do corpo a ser relaxada e sinta este relaxamento; depois passe para outra parte. A mente inconsciente aprende rapidamente a relaxar, fazendo tudo o que é necessário, sem necessitar de tanta interferência consciente. Pratique em dupla com outra pessoa, uma orientando o relaxamento da outra.
Concentração Básica
Faça a respiração básica por 1 minuto.
Faça o relaxamento básico por 1 minuto.
Feche os olhos, caso esteja mantendo-os abertos. Imagine-se sentado ou deitado em uma área branca. Veja-se de um ponto de vista externo ou dissociado flutuando nesta área branca e depois alterne vendo a área branca à sua frente, de um ponto de vista interno ou associado. Alterne os dois pontos de vista por um a dois minutos, terminando de forma associada.

Depois torne toda a área mental escura. Repita o exercício por 30 segundos, alternando as posições. Observe se está confortável nesta área escura. Se não estiver, retorne ao relaxamento básico e depois tente de novo.
Após uma pausa, imagine uma grande pedra, pesada, imóvel, insensível, cristalina, estável. Mentalmente identifique-se com esta pedra. Primeiro de forma dissociada e depois de forma associada. Fique imóvel como esta pedra por 1 a 2 minutos. No máximo, não ultrapasse 5 minutos desta prática.
Medite sobre os "insights" e idéias sobre si mesmo que possa ter recebido. Em outras oportunidades, repita o exercício com outros objetos com características simbólicas definidas:
uma árvore frondosa;
um pássaro;
uma nuvem branca;
uma nuvem de chuva relampejante ;
um sol;
um rio;
o planeta Terra ;
uma nave espacial;
um Mestre Espiritual de sua escolha ;
um animal de poder (simbólico).

Pratique com outra pessoa, uma sugerindo um símbolo para a outra.

Meditação Básica
Faça a Respiração Básica por 2 minutos.
Faça o Relaxamento Básico por 3 minutos.
Faça a primeira parte da Concentração Básica, até o estágio de visualizar (e se associar) com a área branca. Apenas por 1 minutos, para "limpar" a mente de pensamentos erráticos.
Esvazie a mente, imaginando que seus pensamentos são como uma piscina ou tanque e você pode colocar uma pequena torneira no fundo que, pingando pouco a pouco, esvazia o tanque de seus pensamentos. Faça por 3 minutos, persuadindo-se de que todos os pensamentos estão saindo da consciência, até secar o tanque. Alterne esta idéia de forma dissociada e associada. No final, permaneça associado.

Ê uma pequena pausa com a mente vazia. Registre a sensação íntima proveniente deste estado de consciência.
Depois, busque preencher a mente, imaginando um filtro em uma torneira no alto do tanque, só deixando passar os pensamentos úteis e necessários, que fazem bem ao corpo e a mente. Faça este exercício por 3 minutos.
Pratique em dupla, uma pessoa sugerindo ao outro usando palavras tais como "vazio", "menos pensamentos e outros na etapa de esvaziamento da mente e depois com palavras como "pensamentos apropriados" na segunda parte. Com a prática, poderá usar o período intermediário, entre o esvaziamento e o preenchimento da mente, como um período propício para o recebimento de sensações intuitivas.
Iluminação Intuitiva Básica
Faça a Respiração Básica e o Relaxamento Básico em 2 minutos. Depois, a primeira parte da Concentração Básica e a primeira parte da Meditação básica: 30 segundos para esvaziar a mente.
Encontre um ponto, no centro do corpo, que simbolize para você o portal da Consciência Intuitiva. Nem sempre escolha o mesmo ponto, como por exemplo na cabeça. Experimente deixar que a sua intuição lhe posicione o lugar. Pode ser às vezes na altura do coração, ou no estômago, ou entre os olhos.
Associe-se a este ponto (seja este ponto) e "passe" por ele. Perceba a si como uma Identidade Espiritual, una com o Universo. Abstraia da sua personalidade humana e identifique-se como uma parcela da Divindade Universal. Perceber isso não é pensar sobre isso. É como se fosse evidente, óbvio, natural, espontâneo. Não é deduzir ou raciocinar. Mantenha por um período de tempo confortável para você, sem forçar, possivelmente por 1 a 2 minutos.
Deste ponto de vista, oriente o Ser corporal e aconselhe sobre alguma determinada questão, sobre a melhor forma de escolher ou agir. Após, retorne ao Portal da Intuição Consciente. Preencha de novo o corpo físico.
Complete o final da Meditação Básica, 'reenchendo" o tanque de pensamentos com pensamentos adequados, dando ênfase aos que a Consciência Espiritual Interior lhe orientou.
Você pode pedir uma pessoa para lhe ajudar, lendo este procedimento enquanto você pratica ou então pode gravá-lo em uma fita.
Enviado pelo leitor Antonio Azevedo
endereço: http://www.metamagia.hpg.com.br
-----------------------------------------
[PDF]
Introdução BERGSON: INTUIÇÃO E MÉTODO INTUITIVO
-----------------------------------------
Exercício para a Intuição
:: Izabel Telles ::
Faça o exercício de imagens mentais sugerido abaixo e permita que uma reprogramação positiva seja gravada em seu inconsciente.

Exercícios para desenvolver a intuição

Feche os olhos, imagine que você está em um mar e vá ao encontro de um golfinho. Faça uma pergunta para ele e ouça a primeira resposta que ele lhe dá. A mesma prática pode ser feita com outros animais em outros ambientes e também com mestres que você tenha afinidade, objetos.
Imagine que você carrega um carrinho cheio de pedras até a beira de um penhasco. Jogue todas as pedras e pense: estou jogando aqui todas as pedras que estão fechando a minha intuição. Na volta, encha, mentalmente, o carrinho de flores, pedindo que, assim como aquelas flores brotam, intuições também surjam em sua mente.
Respire e abra os olhos.

Repita o exercício por 3 ciclos de 21 dias respeitando um intervalo obrigatório de 7 dias entre cada ciclo.

DICA: Para fazer os exercícios com imagens mentais sem ter que ficar lendo ou decorando você pode gravá-los numa fita e apertar o play sempre que quiser faze-los. Desta forma você garante o mesmo comando... Afinal, você sabe que a mente aprende por repetição. Não foi assim que você aprendeu a tabuada?


----------------------

Intuição e Arte de Curar: Pensamento e Ação na Clínica Médica

Maria Beatriz Lisboa

A intuição mítica do passado sem o elemento racionalizador seria cega, mas a conceituação lógica sem o núcleo vivencial da intuição originária seria vazia.”
W. Jaeger
Introdução
O presente trabalho continua uma reflexão iniciada no artigo publicado em 1998[1], constituindo-se em um estudo de natureza teórico-conceitual que pretende contribuir para a análise da questão da cura em nossa cultura contemporânea. Partimos de uma hipótese inicial que preconiza a existência de uma crise, em termos sócio-culturais, na sociedade ocidental, envolvendo as relações da sociedade com a biomedicina.
Verificamos que durante os últimos cento e cinqüenta anos, a racionalidade científica em medicina representada pela biomedicina procurou dar conta do universo da saúde, atribuindo à pesquisa científica pautada na reprodutibilidade e na verificabilidade dos fatos o critério exclusivo de determinação da cientificidade. Nesse sentido, objetivamos questionar se a crise institucional médica atual não estaria assentada em conceitos e práticas que privilegiam os aspectos técnicos e científicos da doença, abandonando, em contrapartida, a dimensão da “arte de curar”, que implica num compartilhar entre médico e paciente de sensações e signos que compõem os aspectos simbólico e psicológico do sujeito humano.
Almejamos neste artigo construir a categoria da intuição como forma de conhecimento e como prática terapêutica, através da análise do processo que se manifesta em médicos e pacientes ao longo do tratamento. Servimo-nos, para tanto, do Método Intuitivo proposto pelo filósofo Henri Bergson, visando colocar os limites de um pensamento estritamente racional e propondo a transposição deste método para a instância da clínica médica. Além deste autor, que centraliza as principais idéias com as quais iremos trabalhar, julgamos necessário a inclusão de mais outros quatro pensadores que também se debruçaram sobre este tema e que nos ajudaram a compor de maneira mais clara a categoria da intuição; são eles: os filósofos Gilles Deleuze, Baruch de Espinosa e François Jullien, e o historiador Carlo Ginzburg.
Nosso empenho nas páginas que se seguem será no sentido de responder algumas questões que nós próprios nos colocamos ao iniciarmos este trabalho. Pretendemos, assim, abordar em que sentido a intuição pode estar presente na clínica médica e como a intuição pode ser utilizada como uma forma de pensamento rigorosa e metódica, bem como indagar se é possível colocarmos o pensamento racional à serviço da intuição e se dando vazão e legitimando a intuição estaríamos mais próximos da “cura”. À estas questões iniciais, acrescentamos outras que foram sendo elaboradas ao longo do desenvolvimento deste trabalho e que pretendem responder se a intuição iria contribuir para dar conta da lacuna estabelecida pela medicina ocidental contemporânea entre a teoria e a prática médica; e qual a importância de trazer o indivíduo, as subjetividades e a intuição para o campo da medicina; além de se investigar sobre a importância de se pensar a intuição aplicada à prática clínica.
Sabemos, entretanto, que a crise na Saúde não se configura como um bloco monolítico. É bem verdade que, para alguns setores da biomedicina[2], em especial para aqueles que se dedicam à produção de conhecimento, não se verifica crise alguma; a indústria farmacêutica, estreitamente ligada à produção deste tipo de conhecimento é apenas um exemplo nesta área. A crise de que estamos tratando, neste estudo, é a de uma vertente da medicina que ainda hoje é predominante, mas que convive paralelamente com a crítica e a prática de outros saberes médicos.
Esta crise se verifica desde o final dos anos 60, como afirmam pesquisas recentes[3], e assinala uma certa insatisfação por parte da clientela com o atendimento da biomedicina, especialmente em relação aos serviços públicos de saúde.
Pretendemos abordar este panorama da crise ao longo das páginas seguintes. Gostaríamos desde já de esclarecer que o nosso interesse pela crise na Saúde visou basicamente contextualizar o objeto deste artigo, apresentando esta discussão em termos gerais, sem pretensão de esgotar o assunto. É importante também salientar que este trabalho foi fundamentado, em termos empíricos, a partir da pesquisa de campo desenvolvida pelo projeto “Racionalidades Médicas” (na sua segunda fase), do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Nesta pesquisa foram realizadas entrevistas com pacientes, terapeutas e gerentes de alguns serviços públicos de saúde da rede municipal do Rio de Janeiro, abrangendo aspectos referentes às práticas e representações das três racionalidades estudadas, a saber: a medicina ocidental contemporânea, a medicina homeopática e a medicina chinesa.
Enfatizaremos logo de início um dos fatores, apontado por Luz (1996), que estaria possivelmente contribuindo para esta insatisfação dos usuários em relação ao campo da Saúde, e que motivou, em primeira instância, a discussão do nosso objeto. Tal fator adviria do fato de que, durante o processo de afirmação da racionalidade científica como base da cultura ocidental moderna, houve um percurso progressivo de separação entre os dois termos básicos que constituem o núcleo central da medicina, isto é, a arte de curar - tekné, e o conhecimento das doenças - episteme.
Na civilização ocidental, desde a Grécia antiga, a arte sempre ocupou um lugar de destaque na medicina; a inspiração era tida como uma fonte de lucidez e não como um encantamento. Acreditava-se que as decisões terapêuticas mantinham sempre um caráter de contingência artística, que contrastava com o caráter absoluto dos fatos científicos. O principal aspecto da arte era creditado ao seu caráter de síntese e ao fato de demandar uma sensibilidade às especificidades de cada situação.[4]
A palavra tekné, para os gregos, significava um modo do saber, em especial do saber-fazer. Este fazer, de acordo com Heidegger, é determinado e afinado pela essência da criação, e permanece retido nesta essência. É importante ressaltar que tekné não significa trabalho técnico no sentido atual; sobretudo, nunca quer dizer um gênero de realização prática. Ainda de acordo com este autor, saber quer dizer ter visto, no sentido lato de ver, que indica apreender o que está presente enquanto tal. “A tekné, enquanto experiência grega do saber, é um produzir do ente, na medida em que traz o presente como tal, da ocultação para a desocultação do seu aspecto” (1989: 47).
Com a separação arte/ciência, a prática da medicina ocidental foi sendo paulatinamente reduzida à técnica - tal como a conhecemos hoje em dia -, levando em consideração apenas o conhecimento das doenças e deixando de lado a arte de curar doentes. Esta arte, quando bem exercitada e valorizada, pode se constituir num instrumento de percepção e apreensão do ser vivo de maneira sintética; num desvelar do indivíduo tal como ele se apresenta singular e integralmente. Isto implica num compartilhar entre médico e paciente de sensações e signos que compõem os aspectos simbólico e psicológico do sujeito humano.
É exatamente desta dimensão que pretendemos tratar aqui. A arte de curar – tekné, tal como os gregos a entendiam, tem muita afinidade com a categoria da intuiçãoque pretendemos construir ao longo deste trabalho e aplicá-la à prática médica. A intuição será tratada como mais um instrumento a auxiliar o médico, mas também o paciente, nos processos de diagnose e terapêutica transcorridos ao longo do tratamento. O foco de atenção da análise será direcionado ao momento da consulta, quando estão colocadas as condições para que o curador possa interagir com seu paciente e que, neste processo de troca, possam emergir determinados signos que se constituam em elementos chaves para a viabilização da cura. A este processo damos o nome de intuição, que podemos definir também como uma habilidade sintética do pensamento, advinda da experiência, e que possibilita a tomada de decisões específicas em sentidos específicos.
A intuição assim focalizada não pode ser colocada só na sensibilidade, ela se situa a meio caminho entre a sensibilidade e a razão, pois todas as faculdades[5] do médico devem estar presentes naquele exato momento da consulta, inclusive as faculdades racionais e as experiências vividas em outros casos clínicos. Esta concepção inclui, além do conhecimento racional das doenças, uma atenção médica apurada no momento da consulta, centrada no indivíduo doente como um todo (físico, emocional e espiritual ou mental), ou seja, na singularidade da sua energia vital ou vitalidade.
A cura será vista como um processo individual vivenciado pelos atores como recuperação da sua saúde ou equilíbrio provocada ou mediada pela intervenção de um curador.
Alguns aspectos da racionalidade da biomedicina
Vamos nos deter agora em apresentar alguns aspectos da situação que hoje vivemos em relação aos serviços públicos de saúde, em especial no Brasil, mas que, com certeza, abrange os outros países do mundo ocidental. Nosso olhar estará direcionado aos problemas internos da medicina, colocados na instância do próprio ato médico.
De imediato, o que se coloca é que o problema, a nosso ver, é mais profundo do que o meramente econômico. Como o médico cardiologista norte-americano, Dr. Bernard Lown[6] sugere: “A razão básica é haver a medicina perdido o rumo, senão a alma. Partiu-se o pacto implícito existente entre médico e paciente, consagrado durante milênios” (1997:11).
O fato é que o modelo hegemônico de saúde está submetido às regras do mercado neo-liberal/capitalista e tornou-se um bem de consumo. O que cabe à saúde da população é regido pela lógica econômica em função de custos e gastos, subordinados à lógica da produtividade das ações. Isto é contraditório, porque apesar do planejamento das ações dos serviços de saúde, regido pela biomedicina, parecer ou intencionar ser o menos dispendioso – atendimento de muitos pacientes em curto espaço de tempo –, na verdade, ele é montado em função de um modelo hospitalar caro e que requer grande quantidade de exames complementares[7].
De acordo com Camargo Jr. (1992), a prática da biomedicina apresenta uma clara desarticulação metodológica. Por um lado, está colocada a prática médica, que é pouco ou quase nada explicitada, reduzida a uma intervenção mecânica e técnica, instalada num nível individual e, portanto, particular; por outro lado, tem-se uma série de representações que procuram dar coerência a esta instância pouco precisa, e que se pretende geral a toda a prática clínica. Essas representações, na verdade, não se encontram explicitadas em nenhum lugar, mas constituem a espinha dorsal da ciência médica. Elas estão baseadas nas seguintes proposições: 1) “as doenças são coisas, de existência concreta, fixa e imutável, e 2) as doenças se expressam por um conjunto de sinais e sintomas, que são manifestações de lesões que devem ser buscadas no âmago do organismo e corrigidas por algum tipo de intervenção concreta, com utilização de remédio ou cirurgia.”(Camargo Jr., 1992). Categorias como sofrimento, saúde, vida e cura encontram-se perdidas, não sendo nunca explicitadas. Mesmo a categoria de doença também não é definida, como já havia mostrado Canguilhem (1982).
Apesar de não haver uma definição para a doença, ela se constitui como a única realidade concreta, expressão da lesão, que o médico da biomedicina se utiliza em seu trabalho. A doença, de acordo com Camargo Jr., representa um tipo ideal (no sentido weberiano do termo), portanto, genérico. A classificação das doenças constitui-se como o principal eixo da teoria da medicina, e o indivíduo que traz a doença se torna, neste caso, um mero canal de acesso a ela. Neste sentido, o empenho do médico é voltado para diagnosticar a doença que o paciente traz, enquadrando-a no rol das categorias nosológicas.
Vale ressaltar que doença e lesão, na nossa sociedade, estão intimamente ligadas. Na visão da biomedicina, uma não existe sem a outra. À este respeito, Almeida (1988) aponta a dificuldade da biomedicina em diagnosticar casos em que não se constata lesão ou disfunção de órgãos. Ele afirma que estes casos constituem a grande maioria da clientela extra-hospitalar, onde predominam os sofrimentos ligados ao mal estar existencial, os desconfortos, etc. Para a biomedicina, tudo que não é lesão, é enquadrado no rol do termo “pitiático”, - termo pejorativo para os sofrimentos subjetivos. E, mais uma vez, biologiza-se estes tipos de sofrimento, prescrevendo-se um tranqüilizante ou encaminhando-se para a psiquiatria, área considerada menos nobre na medicina.
É assim que a prática adotada pela biomedicina reflete a concepção da ciência hegemônica na nossa sociedade, em que as patologias e a etiologia das doenças são dadas como conceitos fixos e imutáveis, sendo colocados num nível abstrato/superior. Isto faz com que a ação do médico fique submetida e reduzida à interpretação destes conceitos, nada importando, neste caso, exceto o conhecimento intelectual que o médico tem das patologias e sua capacidade em acertar o diagnóstico, que é mediado por toda uma gama de exames complementares.
A doença, a nosso ver, não se coloca apenas na instância do orgânico, ela extravasa o indivíduo, na medida em que a consideramos como um processo de individuação, e, portanto, de subjetivação que ocorre no indivíduo através de suas relações e interações com o meio social em que vive.
É bom frisar que, apesar do empenho da biomedicina em ser essencialmente objetiva, a prática clínica, de uma certa maneira, trai este empenho, uma vez que, no seu seio escorrem rasgos de subjetividade, expressos pela experiência do médico e por suas interpretações, julgamentos, tomadas de decisões, etc. De acordo com Camargo Jr. (1992), embora os médicos tendam atualmente a privilegiar os exames clínicos em detrimento da observação clínica, esquecem que todo exame, por mais objetivo que sejam os dados que produz, está também sujeito a um processo de interpretação, o que implica o recurso à experiência.
Nos últimos dois séculos, a experiência individual não tem sido valorizada como recurso terapêutico. Entretanto, neste trabalho, ressaltamos o valor positivo atribuído à experiência na terapêutica, vista, de acordo com Almeida (1996), tanto no sentido da importância do resgate do conhecimento acumulado pelos terapeutas e seus antepassados, quanto como estratégia de conhecimento pautada na percepção sensorial e na observação sensível.
Na biomedicina, a terapêutica tem sido colocada em segundo plano, pela dificuldade em circunscrevê-la no universo científico, pois sendo uma conduta individualizada não pode cumprir com um dos requisitos básicos do experimento científico, que é a reprodutibilidade. Desta maneira, a cientificidade não é condição fundamental para o sucesso terapêutico. O próprio termo terapêutica origina-se do verbo grego therapeuien, que significa servir, prestar assistência.[8] Servir ao outro, nesse sentido, já indica algo da esfera da subjetividade. E o que se vê é que a prática médica depende muito da habilidade individual de seus praticantes. (Camargo Jr., 1992: 225). Habilidade esta identificada por nós, como fazendo parte da arte de curar, sendo a arte referida à instância da criação.
É nesta instância da arte de curar, do saber-fazer, ou ainda, de um tipo de saber que incorpora uma determinada prática/experiência, que cabe ressaltar a observação feita por Almeida (1996) em relação ao medicamento, de que a terapêutica tem sido, desde Hipócrates até os dias de hoje, a manifestação de uma ciência empírica:
“O empirismo tem sido capaz não só de oferecer a grande maioria dos novos medicamentos, mas de considerar a interação do medicamento com a complexidade e a singularidade do organismo. Contrapõe-se, assim, à característica fundamental do medicamento segundo a lógica racionalista – ação do medicamento definida a priori (pela estrutura química, na medicina contemporânea), sem considerações sobre o organismo receptor.” E complementa: “Apesar de todo o discurso científico da terapêutica química, cerca de 90% dos medicamentos foram “produtos do empirismo”. (Almeida, 1996: 13/15).
Consideramos importante a revalorização do empirismo na terapêutica, para que o investimento do médico não fique direcionado somente ao conhecimento da doença e aos meios que se tem para suprimi-la, como vem ocorrendo nos últimos tempos. Mas que ele leve em conta também a singularidade de cada paciente, com sua história de vida, suas vivências, sentimentos, emoções, etc.
A relação médico-paciente
O que pretendemos com este trabalho é, a partir de um enfoque que promova a saúde e liberte o indivíduo doente, direcionarmos nossa análise ao momento da consulta e à relação médico-paciente.
Na verdade, o que vemos é que perdeu-se a arte de curar, substituída pelo tratamento, assim como perdeu-se a arte de ouvir, substituída pela lógica regida pela técnica. E o fato de não se levar isto em consideração tem graves conseqüências. Em nome de um saber mais objetivo e “neutro”, instala-se uma certa “frieza” técnica no lidar com o paciente.
A própria racionalidade presente na biomedicina não valoriza a relação médico-paciente como recurso terapêutico. Isto pode ser constatado nos serviços públicos de saúde, onde o médico não mantém vínculo com os pacientes que ele atende. Os pacientes, por sua vez, são atendidos pelos mais diversos médicos a cada retorno seu aos serviços de saúde.
Em substituição à relação médico-paciente, o que existe, como foi apontado por Illich e comentado por Almeida, é a relação instituição médica - doença:
“O médico e o paciente não participam da relação enquanto indivíduos dotados de subjetividades. O médico é o representante da ordem médica, e o doente tem que amoldar seu sofrimento à objetividade do discurso médico. (...) Ao mesmo tempo que o doente, como indivíduo, se apaga diante da doença, o médico, enquanto pessoa, também se apaga diante das exigências do seu saber.” (Almeida, 1988: 28).
E este autor prossegue afirmando que o processo diagnóstico representa o enquadramento da subjetividade do doente na ordem médica. O discurso médico influencia ou conduz o doente a uma forma de relatar o mais objetiva possível. Pois o médico não está preocupado com minúcias ou detalhes; sua função é traduzir o sofrimento em sintoma. “O discurso médico não consegue lidar com os dados da singularidade, e homogeneiza as pessoas nos quadros clínicos e diagnósticos.” (Almeida, 1988:29).
No entanto, os pacientes valorizam a atenção médica. Como Luz afirma:
“A generalidade e o distanciamento abstrato com que são tratados os pacientes da biomedicina, em função da centralidade da doença no paradigma da medicina científica, criou uma barreira cultural para muitos indivíduos e grupos sociais, que demandam serem efetivamente tratados, e não apenas diagnosticados.”(1997).
O tratamento que é demandado pelos pacientes implica o cuidado e a atenção ao indivíduo enfermo, vistos como indispensáveis no processo de recuperação da saúde. Ocorre, entretanto, que atualmente o cuidado foi abandonado pela maior parte dos médicos e se encontra nas mãos das enfermeiras.
Os médicos da biomedicina que atuam nos serviços públicos de saúde, em geral, não se atêm ao discurso de seus pacientes, pois isto requer tempo, algo de que eles não dispõem. É verdade que a lógica econômica imposta aos serviços públicos disponibiliza pouco tempo para cada consulta, mas o que vemos é que, em geral, o mais crucial entre os médicos não é a falta de tempo, mas a indisponibilidade para o paciente. Temos que considerar também o fato de que faz parte da racionalidade da biomedicina não se ater ao relato do paciente, que é muitas vezes considerado “impreciso” e “subjetivo”, mas encontrar a doença no corpo, através do exame clínico e de instrumentos técnicos; por isso as consultas podem ser feitas em um curto espaço de tempo, o suficiente para que o médico examine o corpo de seu paciente.
Esta pouca atenção que os médicos dedicam para com os anseios e os problemas de seus pacientes também foi constatada na pesquisa de campo efetuada pelo grupo do projeto Racionalidades Médicas, em que alguns pacientes disseram não gostar do atendimento de certos médicos, pelo fato deles sequer olharem nos seus olhos. Ou seja, interpretamos essa fala sob o ponto de vista de que o principal aspecto desta questão não é o fato do médico ter pouco tempo disponível para cada consulta, mas que ele talvez não esteja dando a atenção desejada e requerida por seus pacientes.
Na visão que estamos tentando construir aqui o médico deve tentar aproximar-se do paciente visando restabelecer, ou até mesmo, ampliar a sua saúde. Isto implica num auto-conhecimento e vontade do paciente em se curar. A relação médico-paciente é, portanto, valorizada, sendo vista como um elemento importante da cura, devendo o médico também se colocar por inteiro nesta relação, não só racionalmente como também emocionalmente, para poder apreender os signos trazidos pelo paciente e compô-los em uma prescrição que atenda a multiplicidade de sintomas do doente. É uma relação de troca, de empatia[9], na qual diversos signos estão presentes, além dos símbolos advindos da linguagem verbal. Neste caso, não importam tanto os exames complementares, mas sim a observação sistemática, a escuta, as afecções, os toques e os signos que permeiam esta relação.
Voltando-nos um pouco para o campo da Filosofia, vemos que o modelo médico atual está assentado na lógica clássica. Esta lógica, calcada na visão platônica, expressa uma visão de mundo dividida, de um lado, em modelos ideais, que constituem o modelo da forma eterna: a essência; e, por outro lado, nas suas cópias, com gradações que variam das quase-perfeitas - uma vez que a perfeição só existe no mundo das idéias - às mais imperfeitas, bizarras, quase sem forma, amorfas, “loucas”, na medida em que contestam, ao mesmo tempo, o modelo e a cópia.[10] Assim, constitui-se um mundo fixo, previsível, onde tudo pode ser medido e limitado pelas linhas do tempo e do espaço, em conformidade com determinados padrões.
Se seguirmos esta lógica platônica, incorreríamos no erro de pensarmos num modelo de cura. Para romper com esta lógica, adotaremos, em contra-partida, o pensamento estóico, no qual uma outra forma da constituição do sentido nos é dada, levando em conta os próprios acontecimentos.
Na relação médico-paciente o que deve ser buscado é o relato que o paciente traz no seu conteúdo e naquilo que aparece para além dos sintomas físicos, prenho de acontecimentos, e que são revelados ao terapeuta; além dos próprios acontecimentos transcorridos ao longo da consulta. Ou seja, na visão implementada pelos Estóicos e que nos foi repassada por Deleuze (1974), as verdadeiras entidades são os acontecimentos, não os conceitos; o próprio acontecimento é revelador do sentido.
Sendo assim, o pensamento desloca-se: não mais procura por cópias capazes de se adequarem à determinados modelos, mas visa aos próprios acontecimentos.
Para que os signos e sinais possam aparecer com mais evidência é necessário que a consulta seja tomada também como um acontecimento, em que tanto médicos quanto pacientes sejam vistos como processos e não como máquinas. É importante que eles não estejam preenchidos por representações duras e imutáveis acerca da doença; pelo contrário, eles devem se colocar numa atitude despojada de representações, sem qualquer comprometimento prévio a uma instância simbólica e levando em consideração os afetos, as forças presentes, os desejos, etc. Pois só assim pode-se abrir uma margem para que a intuição, que provavelmente já estava presente, possa emergir neste momento como uma idéia, a princípio confusa e nebulosa, para ser trabalhada pela inteligência.
Neste caso, a prática clínica não estaria baseada somente em conceitos gerais e abstratos, mas em conceitos nascidos também da experiência e/ou da ação, maleáveis e capazes de se adaptarem às novas circunstâncias. A ação estaria, portanto, colada ao pensamento ou, em outros termos, não existiria essa imensa distância estabelecida pela sociedade ocidental entre teoria e prática.
Para tanto, é necessário que o doente seja colocado no centro do saber e da prática médica e não a doença, como vem sendo posta pela biomedicina. O doente deve ser tratado como um “todo” na sua singularidade e na sua subjetividade.
Além disso, dado o grau de cientificidade com que é exigido aos médicos da biomedicina, o paciente é visto como um objeto a ser explorado e não como um sujeito dotado de sentimentos únicos e singulares. A biomedicina não tem levado em conta a complexidade inerente ao adoecimento. No adoecer de um indivíduo estão em jogo inumeráveis instâncias que compõem aquele todo orgânico: objetivas e subjetivas, visíveis e invisíveis (ou sensíveis). Entretanto, a lógica que rege a medicina atual não vê mais o indivíduo como um todo, seu corpo foi fracionado nos seus diversos elementos orgânicos e os exames clínicos dirigem-se a prováveis patologias que possam estar atingindo estas partes.
Para o pensamento hegemônico que comanda hoje a biomedicina, especialmente nos serviços públicos de saúde, o doente não é visto como um ser único, pois a sua doença ou o mal de que sofre se sobrepõe a ele a ponto dele não ser mais reconhecido como o Seu João ou a D. Maria, mas como o diabético ou a portadora do mal de Parkinson. Ou seja, o indivíduo perde a sua singularidade, deixando de ser ele mesmo, portador de um corpo e um espírito[11] único, para ser não mais do que uma patologia.
Isto advém do fato de que a idéia de indivíduo foi reduzida à idéia de organismo. O sujeito passa a ser visto, dentro de uma visão mecânica, como um conjunto de órgãos, onde cada um tem a sua função.
Outra conseqüência advinda da lógica dominante, em que a intervenção médica se concentra no agudo e no urgente, é o fato de ela não direcionar prontamente seus esforços à prevenção da doença e à promoção da saúde, necessidades básicas da população.
Esta é uma importante questão ética e refere-se também ao fato da medicina atual estar voltada para atender ao método e à pesquisa científica, através da objetivação das doenças, deixando de lado a questão da vida e da prática terapêutica (cura). Atualmente o que se encontra na “crista da onda” científica na biomedicina - e que, por conseguinte, recebe maiores recursos financeiros - é a descoberta de um novo agente de cura ou uma experiência inédita que requer recursos tecnológicos sofisticados e de alta precisão, deixando de lado a prevenção e a promoção da saúde.
Colocar em debate o critério de cientificidade que hoje se encontra hegemônico no mundo ocidental também é de suma importância. A ciência vem sendo construída pelo homem e hoje parece que se impõe à ele como único critério capaz de legitimar o seu saber. Desconstruir este critério de cientificidade é uma tarefa imposta àqueles que desejam abrir brechas ou alternativas ao modelo de saúde vigente.
Isto implica em aceitar e encarar as incertezas que estão sempre presentes na arte de curar. A modernidade procurou banir a dúvida e a incerteza na forma do conhecimento, mas não na vida vivida. Os indivíduos, por mais perícia técnica que possuam, são atravessados por inúmeros acontecimentos sutis que, muitas vezes, não podem ser medidos por instrumentos técnicos e que talvez possam ser captados pelos canais da sensibilidade. Ou seja, o que estamos propondo aqui é que a sensibilidade possa se ampliar de tal forma que ela não se restrinja aos signos da doença, mas sim aos signos que o doente emite como um todo.
Ao colocarmos os limites do conhecimento racional, almejamos abrir espaço para que a afetividade, a generosidade, a compaixão, as emoções, enfim, os sentimentos ligados ao cuidar possam surgir no seio da própria racionalidade[12].
Novamente nos utilizaremos da filosofia para trabalharmos certos conceitos que se não forem questionados na raiz de onde partiram sua concepção, fazem-se passar, aos olhos da nossa contemporaneidade, como absolutos, eternos e verdadeiros. Esquecemos, entretanto, que são conceitos criados por determinados autores em um certo momento histórico e que, se são aceitos hegemonicamente hoje em dia, passaram por um longo processo de aprovação social que, sem dúvida, conviveu com a crítica de outros saberes.
Introduziremos, neste momento, um filósofo do século XVII contemporâneo de Descartes que, por possuir idéias libertárias foi execrado tanto por judeus quanto por cristãos, colocando em risco a sua própria vida, mas que mostra-se atualmente, para uma vertente da filosofia, um pensador que contribui para a construção de uma ética atual e contemporânea. Estamos nos referindo a Baruch de Espinosa.
O conceito de razão implementado por este autor difere do que nos acostumamos a entender por razão. Em primeiro lugar:
“Ele chama a atenção para o fato de que o homem não é sua razão, não se identifica com ela (como em Descartes: sou este algo que pensa; ou em Kant: somente posso conhecer o sujeito empírico submetendo-o ao sujeito transcedental), assim como não é separado do mundo, do outro, das coisas - homens, animais, vegetais, minerais. Isto garante que haja uma empatia entre o homem e tudo que o cerca. E o conhecimento real baseia-se nesta empatia, mas a ela, conjuntamente a ela, acrescenta a razão”. (Martins, 1998).
Ele critica, portanto, a razão que é puramente lógica, formal, dissociada da vida e amplia o conceito de razão de tal forma que inclua o corpo, os sentidos, a percepção, o contato sensível com o objeto e a interação.
Entretanto, para Espinosa, o conhecimento racional não é um conhecimento perfeito, ele se situa entre o conhecimento das opiniões e o conhecimento intuitivo. Propõe assim três gêneros de conhecimento: o primeiro opera com o que ele chamou de idéias inadequadas, que são imagens provenientes de nossa experiência sensorial e de nossa memória. “A idéia inadequada ou imaginativa é uma opinião em que depositamos nossa confiança enquanto nenhuma outra imagem a puser em dúvida.” (Chaui, 1995: 38).
O racional é o segundo gênero de conhecimento, não é perfeito, é universal: “A razão conhece adequadamente as noções comuns, isto é, as leis necessárias entre um todo e suas partes, bem como as relações necessárias entre as partes de um mesmo todo.” (Chaui, 1995: 38).
O terceiro gênero de conhecimento é o intuitivo que, para Espinosa, é o mais perfeito de todos, pois é um conhecimento que supera o racional na medida em que faz a passagem do conhecimento universal para o conhecimento singular que só tem sentido num determinado contexto e na relação real onde esse conhecimento vai ser vivenciado.
Assim é que, na relação com o paciente, o médico deve utilizar todo o seu conhecimento não para substituir a sua relação com o doente, mas sim para aplicar este conhecimento na relação que se instaura durante a consulta, isto é, partindo de conceitos universais e abstratos sobre as doenças, chegar à singularidade daquele determinado indivíduo doente.
Nesta visão, a cura de um indivíduo depende, em primeiro lugar, dele tomar consciência da sua doença, tentando entender os motivos que o levaram a contrair esta enfermidade e se esforçar para reverter este quadro, transformando sentimentos, condutas e valores negativos ou conflitantes que desequilibraram seu organismo.
A doença, nesta visão, configura-se como um processo de individuação pois, por mais que ela exista enquanto entidade nosológica, em cada paciente ela assume características diferentes. Ela é, assim, um processo de sofrimento e dor que, se bem encaminhado, pode ser revertido em cura e, portanto, levar a uma maior consciência de si.
No nosso entender o médico que direciona a sua atenção exclusivamente à doença perde o funcionamento, o fluxo e o processo em que o paciente está inserido, isto é, perde a visão do todo, atendo-se a partes isoladas e estanques do indivíduo. Além disto, ele não direciona seus esforços para tratar daquele paciente específico, no sentido de curá-lo ou de restabelecer o equilíbrio perdido, ele focaliza apenas uma doença “abstrata”. Isto é prejudicial não apenas para o médico, mas principalmente para o paciente, que perde a estruturação do seu ser como um todo e não consegue visualizar uma perspectiva de cura ou de restabelecimento da sua própria saúde, ficando, assim, nas mãos do médico.
Esta é uma questão que deve ser tratada em termos políticos, pois sabemos que não é do interesse de muitos médicos dar autonomia e liberdade aos seus pacientes para que a hegemonia instituída pela medicina na sociedade atual continue gozando dos mesmos poderes. Alimentar uma terapia que estimule o paciente a associar a sua doença a um processo de auto-conhecimento é o mesmo que alimentar um conhecimento libertador e crítico, que pode não satisfazer aos interesses hegemônicos.

Considerando a necessidade da reversão deste quadro, acreditamos ser relevante trazer o método intuitivo proposto por Henri Bergson - que será melhor explicitado adiante - para o campo da medicina, uma vez que estamos lidando com indivíduos mutáveis em um processo (mutável) de cura. Isto implica, em primeiro lugar, em recolocar a figura do doente no centro da prática e do saber da medicina, ao invés da categoria de doença. O que significa dizer que o médico não deve se basear apenas no conhecimento racional, fixo e já dado das patologias; mas deve dirigir a sua atenção ao doente e à relação que se instaura entre ambos, concretizada no momento da consulta. Ou seja, ele deve estar aberto para os acontecimentos que emergem a cada momento. Em segundo lugar, este método retoma a visão holística da integralidade corpo-espírito dos sujeitos. Sendo o sujeito doente composto por um corpo material e um espírito que lhe dá vida, quando visamos à cura temos que aliar o conhecimento das doenças à arte de curar sujeitos/espíritos doentes. Finalmente, colocar somente a inteligência a serviço do tratamento é reduzir a totalidade da vida a um dos seus aspectos. Se queremos uma visão mais global do processo temos que utilizar também o dispositivo da intuição para acessar a realidade.
Afirmar a intuição implica uma maior consciência de si e, portanto, uma maior autonomia do paciente frente ao processo de adoecimento, facilitando um projeto de construção da própria saúde. Este processo de reequilíbrio da saúde deve ser entendido, de acordo com Luz, como a recuperação de um tempo de vida saudável, de uma vitalidade, que corresponde à recuperação da singularidade do paciente face à doença e ao adoecimento. Isto é importante na medida em que “poderíamos falar de uma recuperação do tempo interno desses pacientes, e possivelmente de um processo de ressubjetivação” (1998: 30).
A intuição como forma de conhecimento e como prática terapêutica
Aproximando-se mais do núcleo deste trabalho que é a construção da categoria de intuição aplicada à prática clínica, chegamos ao ponto central de onde parte toda a concepção bergsoniana da intuição, na qual a realidade é tomada como fluxo. Ou seja, nesta visão, a mudança e a mobilidade são a própria consistência da realidade. Bergson alia o espírito ao tempo, nesse sentido vale a pena nos determos um pouco na questão do tempo elaborada por este filósofo antes de entrarmos no método intuitivo proposto por ele.
Bergson está preocupado em distinguir tempo e espaço, pois para este filósofo, “ao longo de toda a história da filosofia, tempo e espaço sempre foram colocados juntos e tratados como coisas do mesmo gênero”. Segundo ele, “estuda-se então o espaço, determina-se sua natureza e função, depois transporta-se para o tempo as conclusões obtidas.” (1974: 109).
Para este filósofo, o que advém da experiência é sempre um misto de espaço e de duração; e a decomposição desse misto revela dois tipos de multiplicidade. Segundo as palavras de Deleuze:
“Uma está representada pelo espaço: é uma multiplicidade de exterioridade, de simultaneidade, de justaposição, de ordem, de diferenciação quantitativa, de diferença de grau, numérica, descontínua e atual. A outra se apresenta na duração pura: é uma multiplicidade interna, de sucessão, de fusão, de organização, de heterogeneidade, de discriminação qualitativa ou de diferença de natureza, virtual e contínua, irredutível ao número.” (1987: 36).
A duração não pára de se dividir, mas muda de natureza ao dividir-se, por isso é uma multiplicidade não-numérica, de modo que, em cada estágio da divisão, pode-se falar de indivisibilidades[13].
A duração de cada um revela e coexiste com outras durações, expondo uma simultaneidade de fluxos. Esta simultaneidade de fluxos nos conduz à duração interna, à duração real. Em resumo, para Bergson, não há mais que um só tempo, ainda que haja uma infinidade de fluxos atuais que participam necessariamente do mesmo todo virtual; sendo a duração esse tempo único, esta totalidade virtual.
O conjunto do tempo é constituído por um movimento de conservação – do passado que conserva o presente na medida em que passa –, e um movimento de mudança – dado pelo presente que passa – ambos se dando simultaneamente. Por exemplo, a imagem passada do presente coexiste com o próprio presente que se encontra passando. Ou ainda, no interior do próprio perceber, assistimos a imagem percebida se duplicando em imagem lembrança: toda imagem atual se duplica em imagem virtual, enquanto lembrança. A formação da imagem lembrança não se faz depois do presente ter passado, mas é contemporânea à passagem do presente. Como Bergson sugere, segundo as palavras de Deleuze:
“Quando buscamos uma recordação que nos escapa, nos situamos primeiro num passado em geral e depois em uma determinada região do passado. Nossa recordação permanece, todavia, num estado virtual. Pouco a pouco aparece como uma nebulosidade que se condensa e passa do estado virtual ao atual.” (1987: 56/57).
Existe, portanto, um passado em geral que dá condição para a passagem de todo presente. Este passado puro, ao qual Bergson se refere como uma Memória ontológica, capaz de servir de fundamento ao desenrolar do tempo, podemos nos referir como sendo o próprio inconsciente. O passado puro é apresentado, por ele, sob dois aspectos: conservação ou distensão do passado no presente e contração, onde neste nível o presente é percebido como o grau mais contraído do passado. Nesse sentido, o passado em geral é composto por níveis distintos, em que cada um contém a totalidade do passado, ainda que em estados diferentes de contração e de distensão. Este passado não sucede o presente, mas coexiste com ele. Sendo assim:
“Passado e presente não designam dois momentos sucessivos, mas dois elementos que coexistem: um que é o presente que não cessa de passar; o outro, que é o passado que não cessa de ser, mas mediante o qual todos os presentes passam.” (Deleuze, 1987: 59).
Esta invocação ao passado quando buscamos uma recordação expressa a dimensão propriamente ontológica do homem, ou melhor, da memória; mas esta recordação permanece num estado virtual.
O virtual tem uma realidade que se estende a todo o universo: gigantesca memória, onde tudo coexiste em uma unidade. Somente quando nos instalamos neste nível em que as recordações se dão, a imagem-virtual pode se atualizar; e a atualização não tem como regras a semelhança e a limitação, mas sim a diferença ou a divergência e a criação. É próprio do virtual só se atualizar na matéria diferenciando-se, ou seja, criando suas linhas de diferenciação; sendo esta diferenciação uma criação. A vida, nesse sentido, passa a ser produção, criação de diferenças; e, ao atualizar-se, ao diferenciar-se, perde contato com o resto de si mesma, ou seja, com tudo aquilo que permanece no estado virtual. Enfim, segundo Bergson, a vida como movimento se aliena na forma material que suscita. Pois, para darmos conta dos nossos interesses práticos, necessitamos distinguir o que pertence ao imaginário daquilo que pertence ao real. Entretanto, na passagem do tempo, o presente real invade o imaginário (virtualidade) e o imaginário invade o real.
“Pois, o momento seguinte contém sempre, além do precedente, a recordação que este deixou; por outra parte, ambos momentos se contraem ou se condensam um no outro, pois um não havia desaparecido quando o outro já aparece.”(Deleuze, 1987: 51).
A duração é essencialmente memória, consciência, liberdade. As recordações – marcas da subjetividade – conservam-se na duração, elas se conservam, portanto, em si e não têm existência psicológica; por isso, diz-se que é virtual, inativo e inconsciente. De acordo com Deleuze (1987),
“Bergson não emprega a palavra inconsciente para designar uma realidade psicológica fora da consciência, se não para designar uma realidade não-psicológica: o ser tal como é em si. O psicológico é o presente, o passado é ontologia pura”.
Bergson alia duração à subjetividade. Para ele, a subjetividade é interior ao tempo, pois somente na duração conservamos o tempo de maneira imediata, sem mediação. Vivenciar a experiência do tempo ou da duração é estar presente no aqui e agora, mergulhando no interior do momento; é apreender a emergência de algo, nele se fazendo, neste sentido sujeito e objeto não são pré-determinados, eles são construídos na medida em que o tempo passa; é também ter consciência do momento presente na medida em que ele atualiza os momentos passados. Somente esta experiência do tempo traz o novo, advém a criação; tudo mais são representações, são elementos já conhecidos. No distraimento de si, você vê a duplicação do momento passado e presente. O que nos distancia de estarmos sempre presentes no aqui e agora são nossos interesses práticos. Portanto, para se conhecer o todo, não é preciso sair de si mesmo, pelo contrário, tem que se apreender o todo em si, que coexiste com o momento presente.
A duração totalmente pura é a forma que a sucessão dos nossos estados de consciência adquire quando o nosso eu se deixa viver, quando não estabelece uma separação entre o estado presente e os anteriores.
Para Bergson, portanto, consciência é conservação e acumulação do passado no presente, mas também antecipação do futuro. Para este autor, não haveria para a consciência o presente, se este se reduzisse ao instante matemático.
“Este instante é apenas o limite, puramente teórico, que separa o passado do futuro; ele pode a rigor ser concebido, não é jamais percebido; quando cremos surpreendê-lo, ele já está longe de nós. O que percebemos de fato é uma certa espessura de duração que se compõe de duas partes: nosso passado imediato e nosso futuro iminente. (...) Digamos, pois, que a consciência é o traço de união entre o que foi e o que será, uma ponte entre o passado e o futuro.”(Bergson, 1974: 77).
Bergson parte, portanto, do pressuposto de que a realidade é contínua e indivisível, um eterno fluxo sempre em movimento. E afirma existirem duas formas de conhecimento, colocadas lado a lado, constituindo duas direções divergentes da atividade do pensamento: uma, que é obtida pela inteligência e, outra, pela intuição. A primeira visa a inserir o ser humano no mundo material de forma eficaz; sua função básica consiste em presidir ações. Para Bergson, toda nossa existência visa basicamente à satisfação das nossas necessidades e interesses práticos. E, com isso, deixamos de lado nossa natureza enquanto seres mutáveis e criativos que somos, perdendo contato com o impulso diferenciador que nos constitui.
A inteligência acessa a realidade abstraindo os momentos fixos e transformando-os em conceitos pela combinação com conceitos já existentes, que são como desdobramentos dos nossos sentidos, auxiliares de nossas ações. Do movimento, a inteligência retém somente as suas coordenadas; ela busca, portanto, a fixidez, perguntando-se onde o móvel está, onde o móvel estará, onde o móvel passa.
“A duração do movimento se decompõe então em “momentos” correspondentes a cada uma das posições. Mas os momentos do tempo e as posições do móvel são apenas instantâneos tomados por nosso entendimento na continuidade do movimento e da duração. Com essas visões justapostas tem-se um sucedâneo prático do tempo e do movimento que serve às exigências da linguagem e que se espera que sirva às do cálculo; mas nada mais se tem do que uma recomposição artificial. (...) Em suma, o tempo assim considerado não é mais do que um espaço ideal onde supomos alinhados todos os acontecimentos passados, presentes e futuros, que estão, ainda mais, impedidos de aparecer-nos em bloco: o fluir da duração seria esta própria imperfeição.” (Bergson, 1974: 110/111).
O conjunto da matéria aparece, portanto, à inteligência como um espaço homogêneo onde as representações se alinham, permitindo os seus cálculos e as suas previsões. Isto nos permite concluir que a inteligência só possui do real representações descontínuas.
A inteligência, quando destinada à satisfação de interesses materiais, isto é, aplicada ao terreno prático, é eficaz; o problema se coloca quando ela se propõe a dar a chave do conhecimento do real tal como ele é em si. Pois, para Bergson, a realidade se apresenta como um perpétuo devir e a inteligência, ao fixar o real em representações esquemáticas, enquadrando-as em categorias fixas e imutáveis, perde o movimento que o caracteriza. O erro da inteligência é pensar que o real já está dado. Ao contrário, ele devém a cada momento, e o faz diferenciando-se. Nesta instância, a inteligência engendra ilusões causadas por se generalizar idéias que só se aplicam ao terreno prático e circunstancial.
A mais flagrante de todas as ilusões consiste, segundo Bergson, em crer que podemos pensar no instável por meio do estável, no movente por meio do imóvel, ou seja, a inteligência é incapaz de compreender a essência da natureza do espírito, uma vez que esta essência consiste em fluir, ao passo que a inteligência só retém do real momentos fixos e descontínuos, levando-nos, com isso, a uma compreensão inadequada da realidade.
A duração real é assim sistematicamente desviada; a ciência sempre procurou extrair e reter do mundo material somente aquilo que fosse suscetível de se repetir e de ser calculado, consequentemente, aquilo que não dura; segundo o autor, a ciência incide no tempo e no movimento com a condição de eliminar do tempo, a duração e do movimento, a mobilidade. Para Bergson:
“A essência da duração está em fluir. O real não são os ‘estados’, simples instantâneos tomados por nós ao longo da mudança; é, ao contrário, o fluxo, é a continuidade de transição, é a mudança ela mesma.” (1974: 110).
Com o intuito de reprimir as ilusões da inteligência, Bergson propõe então, uma apreensão imediata da realidade, que só se viabiliza por meio da intuição. Explorando a categoria da intuição, Bergson elabora o seu método filosófico.
De acordo com este autor, pensar intuitivamente é pensar na duração, pois o objeto da intuição é o próprio tempo, ou seja, a duração, uma vez que a essência da realidade está na mobilidade, na própria passagem do tempo. Para este filósofo, a imagem de um acontecimento passado coexiste com o presente que passa, sendo esta a experiência da duplicação. Para que a intuição possa emergir é necessário se desinteressar da vida prática e saber ver a passagem do tempo em seu duplo jogo simétrico, ou seja, estar presente no aqui e agora, sentindo a passagem do tempo, ou em outras palavras, ser espectador daquilo que é visto ao mesmo tempo do que de si mesmo.
A experiência do tempo é a experiência do novo e da criação, sendo a criação caracterizada com o deixar-emergir num ato ou num produto. A intuição se dá quando o pensamento racional - nos moldes da inteligência prática/interesseira - é submetido à crítica a partir da intuição, permitindo que a atenção se volte para o espírito ou para a sensibilidade. Neste momento, o sujeito vive o instante presente; e, num lapso de tempo, por meio de uma consciência imediata pautada nos sentidos e na sensibilidade, sobrevém um problema ou uma idéia criativa. Para Bergson, colocar o problema é mais crucial do que resolvê-lo, pois implica em uma invenção, ao passo que a resolução advém, cedo ou tarde.
Assim como o domínio da inteligência é a matéria, para Bergson, o domínio da intuição é o espírito. E ele sugere também que existe algo de divino no espírito que se insere como criador de novas idéias, fruto do pensamento intuitivo, porque, para ele, somente este conhecimento é realmente criador, no sentido de trazer algo novo; o pensamento intelectual, por outro lado, somente re-elabora idéias já pré-concebidas.
Mas como fazer da intuição, que se apresenta sempre como um conhecimento difuso, um modo de conhecimento preciso? Pois sabemos que a intuição, enquanto experiência imediata da duração, é a princípio obscura. Para dar conta desta questão, Bergson empenhou-se em elaborar um método filosófico que fornecesse uma compreensão adequada da realidade que a todo momento flui.
Bergson propõe então que os conceitos nasçam da experiência efetiva do real, captados pela intuição, para só então serem repassados à inteligência, pois a intuição necessita da inteligência para se transmitir. O que Bergson está propondo, em última instância, é a conversão da inteligência à intuição. Pois só assim os conceitos rígidos, abstratos e universais fabricados pela inteligência tornar-se-iam “fluidos, capazes de seguir a realidade em todas as suas sinuosidades e de adotar o próprio movimento da vida interior das coisas” (Bergson, 1974:32).
Podemos dizer que, neste caso, os conceitos estariam bem mais próximos da prática, e do saber-fazer - tekné, comentado anteriormente.
Desta forma, um acordo poderia se estabelecer entre a inteligência e a intuição fundando o método em que a inteligência se torna crítica, na medida em que passa a reconhecer suas ilusões e permitindo, com isso, uma melhor compreensão da realidade. Estas duas formas de pensamento não seriam, portanto, excludentes, mas sim complementares, ambas necessitando da experiência para se exercerem.
Convém esclarecer que não estamos opondo razão à intuição, a razão está presente tanto no pensamento intelectual quanto no intuitivo, só que no primeiro ela está pautada em ideais transcendentes ou previamente concebidos e no segundo, a razão vai estar à serviço da intuição.
Para que a intuição possa emergir é necessário que tanto o terapeuta quanto o paciente se envolvam por completo na relação que se instaura no momento da consulta.
O que chamaremos de envolvimento por completo é a presença, em especial do médico, de todo o seu ser, incluindo seu corpo e seu espírito - tal como definimos anteriormente -, a tudo o que diz respeito ao seu paciente: seus gestos, seus olhares, suas palavras, seu silêncio. É necessário que haja um caminho de ida e volta entre o paciente e o médico, onde a percepção se duplica e o espírito se vê vendo, ou seja, ao mesmo tempo em que o médico está com a sua atenção voltada para o paciente, ele também se volta para si mesmo, tendo consciência do seu ser presente naquele momento. Isto requer uma atenção rigorosa, isto é, uma consciência de si, do outro e da interação que está se dando entre ambos. Requer também que haja um rompimento com os investimentos de interesse, ou seja, que a mente não esteja ocupada com lembranças ou antecipações que não fazem parte do universo presente naquela situação. Esta visão retoma o viver o aqui e o agora preconizado pelos Pré-Socráticos e também pelos Budistas. É necessário, portanto, que haja um certo “quietismo de sentir”, um certo “vazio”, para que só o espírito ou a sensibilidade possam viver neste fluxo. E assim, o tempo, o processo e o co-funcionamento são cruciais para que a consciência possa se desprender dos interesses práticos e de modelos pré-definidos, para entrar no próprio fluxo do tempo, onde estão presentes os sinais capazes de dar as chaves para os caminhos da cura.
Abriremos agora um pequeno parêntese para introduzir um filósofo francês contemporâneo que estuda o pensamento chinês, chamado François Jullien. Este autor alia o “quietismo de sentir”, condição básica para que a intuição possa emergir, a uma categoria que é muito valorizada na China e que talvez não exista uma palavra exata para defini-la em termos ocidentais, mas que ele a traduziu como insipidez. Segundo este filósofo, a insipidez configura-se como aquilo que está no início de todos os possíveis ou que carrega todas as possibilidades de existência, mas sem diferenciar nenhuma em particular, tendo, portanto, o poder de se transformar sem fim. Na cultura chinesa, é reconhecida como a grande qualidade, podendo ser comparada ao neutro, à base ou ao centro (ou "Tao").
Prezar a insipidez, segundo Jullien, é ir ao encontro do nosso julgamento mais imediato. É o domínio aonde apenas a experiência sensível repousa no puro "quietismo do sentir". “Seu prazer não é o de descobrir outros signos, outra “hermenêutica”, mas antes constatar uma ausência de signos, de ver suspender nossa avidez de sentido.” (Jullien, 1991). Ou ainda, a insipidez é uma experiência da consciência inteira, ela exprime nosso estar no mundo sobre um modo mais radical.
A insipidez, que pode ser confundida com o próprio Tao, é a neutralidade necessária para que a intuição possa emergir deste maravilhar-se contemplativo. É menos o investimento pessoal que conta: no lugar de impor um modelo ao mundo, deve-se apoiar sobre o potencial da situação. Ela é simbolizada pela pureza da água, podendo ser comparada a este nível inconsciente, a que nos referimos anteriormente, sem imagens nem representações, aonde apenas a experiência sensível repousa. Aí estão presentes todas as possibilidades, mas sem que nenhuma sobressaia à outra.
A sabedoria chinesa aponta para a importância da insipidez, da não-ação, do maravilhar-se contemplativo como sendo a base para o encontro da nossa própria consciência.
É preciso ressaltar que, para a filosofia chinesa bem como para esta vertente da filosofia ocidental que estamos trabalhando, pensamento e ação estão integrados num mesmo processo, onde tudo inicia-se nesse nível sensível. Portanto, para que sejamos capazes de aprender (no sentido de criar algo novo), não devemos procurar por alguma coisa que esteja fora de nós, pelo contrário, é do interior da nossa sensibilidade que o pensamento emerge.
Voltando ao pensamento bergsoniano, chamaremos a atenção para a emoção criadora, que é o que acessa a intuição. Este autor distingue dois tipos de emoção: as superficiais e as profundas; as primeiras estão condicionadas às representações e, portanto, à resolução de interesses práticos relacionados a hábitos e obrigações; as últimas introduzem os indivíduos “num movimento de co-criação com a própria vida, confiando a ela a gênese não só da abertura da alma, capaz de nos prover de uma intuição do todo, como também do dinamismo criativo, enquanto movimento indispensável para a aquisição da liberdade” (Maciel, 1997:134). Estas são nomeadas de emoções criadoras. Isto quer dizer que a intuição só é acessada quando é atravessada por esta emoção. É a emoção que nos abre para o tempo. De acordo com Bergson, ela antecede a representação e, portanto, a linguagem; é, nesse sentido, originária, buscando sentimentos profundos do nosso ser.
“Sendo extraída do espírito, a emoção criadora é pura afecção pelo todo, melhor pura expressão do todo, que se evidencia na gênese do ato criador. É a emoção do divino em nós, se entendermos por divindade este impulso criador que é a própria vida.” (Maciel, 1997: 139).
É através da emoção criadora que a intuição se torna experiência ampliada, ao mesmo tempo em que a inteligência se converte à ela.
“Bergson afirma que as idéias novas, nascidas de uma intuição, surgem no espírito por força de um arrebatamento, como se a emoção as fizesse surgir ainda obscuras, coincidentes com o autor que as intui, imediatas na unicidade do acontecimento, para só depois irem se desdobrando com clareza e distinção. A inteligência é que se responsabilizará por esse desdobramento.” (Maciel, 1997: 143).
Gilles Deleuze ao elaborar o que ele chamou de a Nova Imagem do Pensamento aproximou-se muito das idéias de Bergson, no sentido de que a criação de uma nova idéia tem seu início nos sentimentos e emoções que são experimentados no dia-a-dia e não em algo que esteja fora do ser humano, num nível abstrato/superior.
Deleuze constrói esta Nova Imagem do Pensamento a partir de uma crítica ao pensamento ocidental clássico, que é calcado na representação. Esta concepção, ao separar o sujeito que pensa do objeto a ser pensado, remeteu à idéia de um ser transcendente e criou um fosso entre pensamento e ação, teoria e prática, ou ainda entre ciência e ação. A ação, nesse sentido, ficou submetida ao pensamento.
Esta lógica clássica, calcada no platonismo, expressa uma visão de mundo dividida, de um lado, em essências transcendentes aqui identificadas ao mundo verídico, que só podem ser apreendidas pelo pensamento e, por outro lado, nas aparências que estão relacionadas ao mundo sensível.
O pensamento filosófico clássico, segundo Deleuze, tem como pressuposto implícito uma Imagem do pensamento, pré-filosófica e natural, tirada do elemento puro do senso comum, ao mesmo tempo em que determinada pelo bom senso. Este pensamento baseia-se no pressuposto de que ele é natural, “dotado para o verdadeiro, em afinidade com o verdadeiro, sob o duplo aspecto de uma boa vontade do pensador e de uma natureza reta do pensamento.” (Deleuze, 1988: 218). E é sobre esta imagem que se presume que cada um saiba o que significa pensar.
Os pressupostos em filosofia estão relacionados ao seu começo, pois começar em filosofia significa eliminar todos os pressupostos; ocorre, entretanto, que os pressupostos filosóficos são subjetivos e objetivos e, neste caso, segundo Nietzsche, essencialmente morais:
“... pois só a Moral é capaz de nos persuadir de que o pensamento tem uma boa natureza, o pensador, uma boa vontade, e só o Bem pode fundar a suposta afinidade do pensamento com o Verdadeiro.” (Deleuze, 1988:219).
Este pensamento traz, portanto, a crença na existência de um real dado, de uma verdade dada e de que o pensamento é capaz de encontrar essa verdade por meio da razão. Para tanto, torna-se necessário se libertar dos interesses sensíveis, das paixões, etc. para atingir o mundo das idéias, ou seja, buscar a verdade que o pensamento sempre almejou e que estava separada dele. Pensar é comparado a uma ponte que ata o pensamento ao objeto de que ele se encontrava separado; sendo fundamental, para tanto, a utilização de um bom método, pois, com ele, tornamo-nos menos suscetíveis ao erro.
O pensamento clássico é calcado no modelo da recognição. A recognição, segundo Deleuze (1988), se define pelo exercício concordante de todas as faculdades - tal como foi definida anteriormente -, sobre um objeto suposto como sendo o mesmo; sendo também implícito o princípio subjetivo da colaboração das faculdades para “todo mundo”, ou seja, para o senso comum. Pensar, nesse sentido, significa reconhecer e representar o real tal como ele é. Este pensamento está centrado na figura do sujeito cognoscente e é visto como algo natural ou inato ao espírito humano, na medida em que todo homem tem a capacidade de pensar. A célebre frase de Descartes (Eu)"Penso, logo existo" sintetiza bem este pensamento, supondo a concordância de todas as faculdades no “Eu” que pensa.
Neste modelo, não só o objeto é reconhecido, mas também os valores sobre este objeto. Reconhecer um objeto, neste sentido, é saber se utilizar dele e agir sobre ele. Encontramos aí uma finalidade prática não só em relação aos valores estabelecidos, mas à toda a imagem do pensamento[14].
É evidente que os atos de recognição existem e ocupam grande parte de nossa vida cotidiana. Mas o que foi colocado em questão por Deleuze[15] é se o destino do pensamento se encontra aí, e se o pensamento só advém quando o reconhecemos.
A crítica que este filósofo faz desta imagem é que este pensamento, ao se fazer representante do senso comum, não rompe com a opinião vigente da maioria - opinião tomada aqui nas suas duas metades, a saber: senso comum e bom senso - ficando a serviço do poder e da moral vigente.
Deleuze propõe uma Filosofia isenta de pressupostos, tomando como ponto de partida uma crítica radical da imagem do pensamento e dos “postulados” que ela implica. Propõe, assim, um pensamento sem imagem, renunciando à forma da representação assim como do elemento do senso comum. Como se o pensamento só pudesse começar e sempre recomeçar a pensar ao se libertar da imagem e dos postulados.(Deleuze, 1988: 220).
O pensar, para esta filosofia, não é reconhecer, mas sim problematizar, ou seja, colocar uma nova idéia. Pensar, nesse sentido, é o que advém da falência dos hábitos, não é natural; para nascer precisa sempre de uma ocasião fortuita ou da contingência de um encontro. Conforme Deleuze:
“Há no mundo alguma coisa que força a pensar. Este algo é o objeto de um encontro fundamental e não de uma recognição. (...) Pode ser apreendido sob tonalidades afetivas diversas, admiração, amor, ódio, dor. Mas, em sua primeira característica, e sob qualquer tonalidade, ele só pode ser sentido. É a este respeito que ele se opõe à recognição, pois o sensível, na recognição, nunca é o que só pode ser sentido, mas o que se relaciona diretamente com os sentidos num objeto que pode ser lembrado, imaginado, concebido.” (1988: 231).
É necessário que algo violente o pensamento, uma estranheza ou uma inimizade para tirá-lo de seu estado natural. É justamente quando não reconhecemos que somos forçados a pensar ou, porque não dizer, a criar. Nesse sentido, o pensar só advém ao pensamento quando somos forçados e configura-se como uma força que só se relaciona a partir de um fora. Portanto, o que está no centro deste pensar não é o sujeito, mas o acontecimento.
O pensar, para Deleuze, é consciente, mas a gênese do pensar é inconsciente. As forças, segundo Nietzsche[16], que se relacionam conosco e que nos forçam a pensar são inconscientes - da ordem do sensível - e se dão num nível pré-representativo, aquém da recognição. No encontro destas forças está o afeto, uma vez que uma força tem sempre dois poderes: um poder de afetar e outro de ser afetado. Este afeto é chamado por Deleuze de signo.
Todo processo de aprendizagem inicia-se nos signos. Os signos são objetos do encontro de micro-percepções inconscientes, que se dão através da experiência, ou seja, na duração, para usar o termo bergsoniano. O pensamento, quando afetado pelas forças, procurará dar sentido aos signos e esse sentido advirá como um problema, que é a própria criação de uma nova idéia. Sendo assim, o sentido é que se encontra no centro deste pensamento e não a idéia de verdade.
Diante da incapacidade de reação advinda do não-reconhecimento, não agir, manter-se perplexo instigado pelo problema de onde a idéia possa emergir. Segundo Deleuze:
“Aprender é o nome que convém aos atos subjetivos operados em face da objetividade do problema (Idéia), ao passo que saber designa apenas a generalidade do conceito ou a calma posse de uma regra das soluções.”(1988: 269).
Desta maneira, o problema é colocado quando a sensibilidade, sentindo aquilo que só pode ser sentido, entra num jogo discordante com as outras faculdades e força a memória a lembrar aquilo que só pode ser lembrado. Esta, por sua vez, comunica a violência sofrida ao pensamento, forçando-o a pensar aquilo que só pode ser pensado. Este esforço divergente é a violência daquilo que força a pensar, em que cada faculdade enfrenta seu limite e só recebe da outra (ou só comunica à outra) uma violência que a coloca em face de seu elemento próprio. Contrário ao modelo da recognição, no qual todas as faculdades convergem para o esforço comum de reconhecer um objeto.
O problema fornece apenas as condições para que uma faculdade possa se comunicar com outra.
“Sob este aspecto, as Idéias, em vez de terem um bom senso ou um senso comum como meio, remetem a um para-senso que determina a única comunicação das faculdades disjuntas”. (Deleuze, 1988: 241).
Sendo assim, o que causa o pensar para Deleuze, isto é, o que impulsiona o pensamento é o signo. O signo é composto por uma pista que possa levar à cura, um indício, ou ainda um sintoma que se expressa em algo ou em alguém, acrescido pela impressão captada pelo sujeito cognoscente. A pista por si só não expressa um signo, é necessário que o sujeito que observa saiba captar aquele sinal, relacionando-o com outros sinais para compor um signo, que pode se traduzir num diagnóstico ou numa prescrição médica, para dar um exemplo em relação aos casos clínicos.
Este signo remete à idéia de ser do sensível ou àquilo que torna sensível a partir de uma linguagem pré-verbal, pré-significante. O que só pode ser sentido aparece como causa do pensar. Não existe, portanto, neste pensamento o inatismo ou a naturalidade no pensar. Para que o pensamento inicie-se é necessário, antes de tudo, a experimentação, ou a ocasião, ou a contingência de um encontro. Nesta vivência encontramos signos que nos afetam; se eles não são reconhecidos, de imediato um estranhamento se impõe. Neste momento, nosso conhecimento intelectual/racional dissipa-se, por não sabermos utilizar tais signos na nossa vida prática, por não sabermos, portanto, nos servir deles. Isto coloca uma questão que nos força a pensar nos levando ao fora do saber, ao não-sabido. E nesta instância, somente a sensibilidade poderá suscitar uma resposta ao problema, trazendo-a sob a forma de uma nova idéia ou uma nova criação. Fazendo um contraponto com Bergson, intuir é ter essa sensibilidade para os signos. Somente a emoção criadora é capaz de gerar a intuição (para Bergson) ou o pensamento criativo (para Deleuze). A partir da emoção, a intuição poderá emergir e se articular ao intelecto para criar um novo pensamento.
Daí a importância da atenção apurada para se observar os pequenos detalhes, os sinais imperceptíveis, os gestos, os toques e os silêncios, pois eles podem traduzir aquilo que as palavras, muitas vezes, não conseguem expressar.
Um paradigma de conhecimento similar a este já existiu na humanidade mais primitiva e povoou a medicina do final do século passado, entretanto não vingou diante do poder hegemônico. Ele nos foi apresentado pelo historiador Carlo Ginzburg e constituía-se em um paradigma indiciário baseado na semiótica médica: “a disciplina que permite diagnosticar as doenças inacessíveis à observação direta na base de sintomas superficiais, às vezes irrelevantes aos olhos do leigo” (1991: 151).
O que caracteriza esse saber, segundo Ginzburg, é a capacidade de, a partir de dados aparentemente negligenciáveis, remontar a uma realidade complexa não experimentável diretamente. Ele quer nos mostrar que são justamente nos pormenores mais negligenciáveis, ou seja, nos elementos subtraídos ao controle da consciência como no caso dos signos de uma pintura ou nos pequenos gestos inconscientes, em relação aos sintomas da psicanálise ou ainda nos indícios imperceptíveis, em relação à investigação de um detetive, que nos permitem captar uma realidade mais profunda que, de outra forma, seria inatingível.
Por meio de exemplos retirados de diversos momentos históricos, Ginzburg aponta para a relevância do saber nascido da experiência, como ele afirma, da concretude da experiência, residindo aí a força desse tipo de saber:
“Essas formas de saber eram mais ricas do que qualquer codificação escrita; não eram aprendidas nos livros mas a viva voz, pelos gestos, pelos olhares; fundavam-se sobre sutilezas certamente não-formalizáveis, freqüentemente nem sequer traduzíveis em nível verbal” (1991: 167).
São, portanto, formas de saber mudas, no sentido de que suas regras não prestam-se a serem formalizadas nem ditas. Nesse tipo de conhecimento entram em jogo elementos imponderáveis, tais como: faro, golpe de visa, olhar–clínico, intuição.
Como Ginzburg sugeriu, a medicina, assim como outras ciências humanas, são disciplinas eminentemente qualitativas e conjeturais que, ao se basearem em casos, situações e documentos individuais, torna problemático a adoção de um paradigma científico centrado na física clássica. (1991: 156).
É neste sentido que consideramos importante o médico estar atento a todos os detalhes, minúcias, enfim, indícios, por mais desprezíveis que possam parecer, trazidos por seus pacientes; porque, muitas vezes, sinais insignificantes ou muito sutis podem revelar queixas escondidas que afetam demasiadamente o paciente.
Concluindo
Este trabalho insere-se numa perspectiva mais ampla situada no campo da Saúde que propõe a retomada da prevenção da doença, bem como da promoção da saúde, valorizando a consulta médica e a relação médico-paciente - tomados como elementos importantes no processo de cura. Propõe, assim, que possamos sair do paradigma técnico-cientificista que rege a biomedicina e que encontra-se hoje instalado no modelo hospitalar.
Afirmamos aqui a hipótese inicial da psicanálise de que a origem das doenças pode estar nas emoções e que, portanto, há sintomas psíquicos, inconscientes nas doenças, para além dos sintomas físicos e biológicos.
Consideramos as doenças como processos de individuação e, portanto, de subjetivação que podem se expressar na disfunção ou lesão de órgãos. A cura deve ser buscada tanto no sentido de restabelecer a saúde física quanto no encaminhamento dos motivos subjetivos/emocionais que possivelmente contribuíram para desencadear aquele processo.
Para tanto, propomos a utilização do Método Intuitivo, preconizado por Bergson, por acreditarmos que o pensamento racional/científico é apenas uma faceta do nosso pensamento, que cobre determinadas instâncias das necessidades que são impostas às nossas vidas. Ele se mostra, entretanto, insuficiente para cobrir os aspectos simbólicos e psicológicos dos sujeitos, e incapaz de se adaptar à maleabilidade da vida que a todo momento flui. A intuição mostra-se, neste caso, mais eficaz para apreender a realidade, pois ela é captada por meio de uma consciência imediata, pautada nos sentidos e na sensibilidade e que possibilita a tomada de decisões.
Em suma, almejamos com este trabalho contribuir para o resgate do pensamento holístico, onde corpo e mente possam compor uma mesma e única totalidade e a sensibilidade estar presente no corpo inteiro; que a razão e a emoção possam estar mais próximas e onde pensamento e ação caminhem juntos.
Acreditamos que o resgate destes princípios possam levar a uma maior autonomia do paciente, uma vez que esta “nova” postura que busca pela intuição implica uma maior consciência de si, pois a atenção se volta para si, para o outro e para o momento presente. Com uma postura mais atenta diante dos problemas da realidade, tanto no sentido racional quanto no emocional, acreditamos que o paciente possa gozar de melhores condições para visualizar uma perspectiva de cura, retomando assim a sua singularidade, bem como sua autonomia e liberdade diante da vida.


---------------------------

A INTUIÇÃO E A RAZÃO


A princípio, a intuição seria muito mais confiável do que a razão, que pode ser facilmente condicionada e manipulada, de acordo com interesses e predisposições que nós mesmos desconhecemos.
O problema relacionado ao uso da intuição é que ela é uma faculdade ainda em formação, talvez reservada para uma futura etapa da evolução humana.
Raramente podemos ter certeza da autenticidade da intuição. Freqüentemente o que entendemos por intuição é o afloramento de desejos ocultos ou de impulsos emocionais.
Como as emoções são impulsos primários, muitas vezes descontrolados, é necessário o uso da razão para harmonizar ou pelo menos estabelecer algum tipo de controle sobre as emoções, para que não se tornem destrutivas ou exageradamente agressivas.
Somente quando as emoções estão perfeitamente harmonizadas com a razão é que a janela da intuição pode-se abrir. Antes disso, a intuição é uma faculdade enganadora, mesmo que ocasionalmente possa emergir com autenticidade.
O fato é que podemos ter vários momentos de intuição autêntica em nossas vidas. O mais difícil é diferenciar as intuições autênticas das intuições falsas provocadas pelo afloramento de pulsões inconscientes ou de emoções reprimidas.
É muito comum alimentarmos o desejo que alguma coisa aconteça, e algum tempo após, termos a “intuição” de que aquilo vai de fato acontecer. É uma armadilha muito sutil e difícil de ser desarmada.
Por esse motivo, nossa atual etapa evolutiva é destinada ao desenvolvimento da razão.
Para o homem predominantemente racional, não é fácil distinguir a emotividade descontrolada do neurótico da intuição refinada do gênio. Ambos parecem ser pessoas desequilibradas e fora do eixo que ele conhece com segurança e certeza.
Interiormente, é imensa a diferença entre o gênio e o louco. Exteriormente, porém, parece ser tênue a diferença: ambos são seres que se situam fora dos comportamentos normais e previsíveis. Ambos são regidos por impulsos que estão além da estreita faixa da consciência. O gênio sendo regido por insights e inspirações da superconsciência, que está acima da razão. E o louco, pelo caos de seu subconsciente.
Ambos parecem não ser confiáveis, embora os resultados demonstrem que o homem verdadeiramente intuitivo está mais próximo da verdade e pode conseguir resultados superiores à razão.
Se examinarmos a história das grandes descobertas científicas, iremos constatar que praticamente todas tiveram uma grande dose de intuição, mesmo que a razão tenha sido utilizada para organizar, desenvolver, testar e apresentar aquelas idéias em um formato aceitável e compreensível.
Em todo ato criador, a intuição é predominante, visto que a razão não tem capacidade de criar nada. Ela pode apenas organizar, correlacionar e estruturar.
Devemos liberar nossas intuições e deixá-las fluir, evitando sempre a armadilha de tomar surtos emocionais de desejos reprimidos como intuições.
http://www.sociedadeteosofica.org.br/bhagavad/site/livro/cap33.htm
-------------------------

Intuição - o sexto sentido

Os cinco sentidos físicos são os órgãos pelos quais entramos em contato com o mundo da terceira dimensão. Nossos olhos são sensíveis à luz e nos informam sobre a forma, a cor, o brilho do mundo à nossa volta. Com nossos ouvidos captamos as vibrações sonoras, como os sons e o ritmo dos elementos, dos animais, das palavras. Nosso paladar nos possibilita reconhecer o sabor dos alimentos, distinguir o doce do salgado, o cru do cozido. Nosso olfato acolhe os odores liberados pelas plantas, flores e frutos, pelos elementos naturais e artificiais, pelos animais e, especialmente, o dos parceiros amorosos. E para nos informarmos a respeito da textura e da temperatura das coisas do mundo, utilizamos o tato, que nos permite distinguir o liso do áspero, o frio do quente, o molhado do seco. Mas, para entrarmos em contato com o mundo não-físico, aquele que escapa aos nossos cinco sentidos físicos, dispomos de um sexto sentido, a intuição. Muito se fala da intuição, mas quando você pede a alguém lhe explicar o que é, dificilmente você receberá uma resposta esclarecedora. Parece que todos sabemos identificar e reconhecer uma percepção intuitiva. Muitas vezes, contudo, confundimos a intuição com nossos desejos e o fazemos, na maioria das vezes, para ocultá-los. Quando estamos otimistas, intuimos que nosso desejo vai se realizar. Quando estamos pessimistas, a intuição serve para nos preparar para o pior.
Como podemos distinguir a intuição dos nossos desejos?
A intuição é um conhecimento espontâneo e imediato de algo com que entramos em contato, envolvendo basicamente a percepção e não o raciocínio lógico, seqüencial. Ela se diferencia dos outros cinco sentidos, porque não a comandamos, apenas podemos nos abrir para ela, numa atitude de receptividade que temos por hábito atribuir ao universo feminino. É por isto que as mulheres parecem ter o domínio da intuição.
A intuição não é um dom, mas um poder instintivo básico, uma habilidade de sobrevivência, presente em todos os seres humanos. Esta habilidade nos permite acessar, simultaneamente, informações de origem emocional, psicológica e espiritual, presentes em uma dada situação, e agir a partir delas com a rapidez de um raio. Assim é que a „intuição vê num relance o que a mente comum bem poderia levar uma vida inteira para tentar descobrir“.
Como sexto sentido, a intuição é apenas a chave para um saber apropriado e não um manancial de sabedoria que alguns seres humanos privilegiados podem acessar. E como acontece com qualquer habilidade, algumas pessoas têm mais facilidade para usar a intuição do que outras.
Apesar da intuição se manifestar num relance, ela não é uma habilidade de fácil utilização. Ela requer coragem para nos abrirmos ao manancial de informações que inunda nosso ser e produz, inicialmente, desconforto e confusão. Ela requer auto-estima, para suportarmos as dúvidas e conflitos que nos exigem questionar nossos valores e atitudes. E, principalmente, requer disciplina e organização para não confundir as informações captadas intuitivamente com pressentimentos, impressões instantâneas ou desejos oriundos de nossa base pulsional e emocional.
Indo além do que é racionalmente explicável, a intuição demanda um aprofundamento da percepção, estimula a conscientização de nossos valores e crenças, exige honestidade para rever nossos motivos, bem como requer disponibilidade para tomar conta de nossa própria vida e fazer as nossas próprias escolhas, enfrentando o medo da desaprovação.
Afirma Jung que „uma intuição não se faz, ao contrário, ela sempre vem por si mesma; tem-se uma intuição que surge por si mesma e apenas podemos captá-la, se formos rápido o suficiente“ . Para captarmos claramente as informações que se formam de dentro para fora, precisamos estar com todos os nossos sentidos abertos, sermos flexíveis em nossa sensibilidade, para captar os sinais do manancial cósmico.
Este „singular e maravilhoso momento de lucidez e de certeza“ só é possível, porque estamos imersos em um universo holográfico, esta totalidade da qual somos uma parte. A característica distintiva do holograma é cada pequena parte conter o todo, o que torna possível recriar a totalidade a partir de qualquer fragmento. „Em cada pequena parte da criação existe o todo, e em cada todo, existe cada pequena parte da criação“.
Mas, assim como precisamos aprender como usar um computador para ter acesso à rede internacional no espaço virtual, também precisamos aprender a lidar com nosso recurso intuitivo, para acessar a vastidão da realidade holográfica.
Para isto, precisamos aprender a utilizar nossa mente holograficamente, equilibrando nossas habilidades de cérebro esquerdo com as nossas habilidades de cérebro direito. Apenas assim seremos capazes de acessar em profundidade as múltiplas dimensões do universo.
E apenas assim, desenvolveremos plenamente nosso potencial como seres humanos.

------------------------------

Crença em Deus pode se resumir a intuição




Para muitas pessoas, acreditar em Deus se resume a um pressentimento de que um ser bom está lá fora. Um estudo descobriu que essa intuição pode ser muito importante na determinação de quem vai à igreja todos os domingos e de quem a evita.
Pessoas que são geralmente mais intuitivas na forma de pensar e tomar decisões são mais propensas a acreditar em Deus do que aquelas que ruminam as suas escolhas, dizem os pesquisadores. As descobertas indicam que essas diferenças básicas no estilo de pensamento podem influenciar a crença religiosa.
Alguns dizem que os cientistas acreditam em Deus porque suas intuições sobre como e porque as coisas acontecem os levam a ver um propósito divino por trás dos eventos ordinários que não têm óbvias causas humanas. Isso os levou a perguntar se a força das crenças de um indivíduo é influenciada por quanto ele confia em sua intuição natural ou pelo quanto para para refletir sobre seus primeiros instintos.
Os pesquisadores investigaram essa questão em uma série de estudos. No primeiro, 882 adultos norte-americanos responderam pesquisas online sobre suas crenças em Deus. Em seguida, os participantes passaram por um teste de matemática com três perguntas como: “Um morcego e uma bola custam R$ 1,10 no total. O morcego custa R$ 1 a mais que bola. Quanto custa a bola?”
A resposta intuitiva para essa pergunta é 10 centavos, já que a maioria das pessoas num primeiro impulso tiram R$ 1 do total. Mas as pessoas que usam o raciocínio “reflexivo” para questionar o seu primeiro impulso são mais prováveis de obter a resposta correta: 5 centavos.
As pessoas que usaram sua intuição no teste de matemática foram quase duas vezes mais propensas a acreditar em Deus do que aquelas que acertaram todas as respostas. Os resultados se mantiveram mesmo quando foram levados em conta fatores como educação e a renda.
Em um segundo estudo, 373 participantes foram instruídos a escrever um parágrafo sobre qualquer sucesso obtido pela sua intuição ou pela sua forma racional de encontrar soluções. Aqueles que escreveram sobre a experiência intuitiva eram mais propensos a dizer que eles estavam convencidos da existência de Deus após o experimento, sugerindo que o pensamento intuitivo impulsiona a crença.
Os pesquisadores planejam investigar como os genes e o ensino influenciam na forma de pensar, mas eles ressaltam que nem a intuição é melhor que a reflexão, nem o contrário.
Para eles, tanto intuição quanto reflexão são importantes e é interessante achar um equilíbrio entre os dois. E aí, o que a sua intuição te diz?
------------------------

COMO A INTUIÇÃO E A SABEDORIA INTERIOR PODEM FORTALECÊ-LO EM MOMENTOS DIFÍCEIS
Todos nós fomos criados com uma sabedoria interior inata que orienta as nossas vidas, serve como um “medidor interior da verdade” e nos ajuda a tomar decisões importantes em pontos críticos de mudanças em nossas vidas. Alguns chamam a este dom natural, de intuição, orientação espiritual ou “sentimentos viscerais”.
Cada um de nós se conecta à intuição de seu modo próprio e único. Aqueles com dons artísticos ou musicais podem invocar a sua musa para inspirá-los com idéias criativas. Aqueles cujo trabalho envolve grande resistência física ou mental, podem se conectar com a sua sabedoria interior ao se desafiarem profundamente para romper as barreiras que usualmente existem entre eles e os seus dons interiores. Alguns podem ter vidas muito agitadas com pouco tempo para estar em sintonia com a sua orientação interior, mas os nossos sonhos servem como mensageiros para compartilhar conosco a importante informação que podemos não ter captado no meio de um dia atarefado.
Nossa intuição é um profundo dom que liga o nosso eu físico encarnado com a nossa essência espiritual divina. A alma pode ser comunicar com o nosso eu encarnado através desta linha de luz, e podemos desenvolver esta conexão interior ao longo do tempo através da meditação, da prece e do desejo de nos conhecermos mais profundamente.
Nossa intuição pode ser de grande utilidade em todos os momentos em nossas vidas e especialmente durante momentos de grande stress ou dificuldade. Em situações onde estamos nos defrontando com desafios inesperados, tais como a perda de um ente querido ou uma doença, muitas emoções intensas surgem do nosso interior. Nossos apoios habituais são removidos ou abalados, o que pode nos fazer sentir desorientados, desprotegidos e sem nada a que nos agarrarmos.
Nossa intuição pode agir como uma bússola de orientação, apontando-nos instintivamente em direção aos apoios que precisamos para superarmos as dificuldades que estamos enfrentando.
Quando as nossas mentes nos enfraquecem porque nos sentimos oprimidos, a voz da nossa sabedoria interior se expressa claramente e se repetirá tantas vezes quanto for necessário.
Se nós estamos acostumados a estar no controle de nossas vidas, e então, subitamente, somos defrontados com uma situação que não podemos administrar, ficamos desesperados por causa de nossos métodos usuais de enfrentamento que não mais estão funcionando. A intuição, entretanto, funcionará sempre, até nas circunstâncias mais terríveis, porque o nosso eu humano encarnado no mundo físico está sempre conectado ao nosso Eu Superior.
Em um momento de desafio ou de crise, nossos sistemas de apoio espiritual são ativados dos reinos espirituais. Nossa conexão com a intuição ou orientação é fortalecida, e aqueles seres amorosos nos reinos espirituais que zelam por nós e guiam as nossas vidas proporcionam um auxílio extra.
Se nós nos acostumamos a não considerarmos a nossa sabedoria interior, ou, simplesmente, excluirmos as nossas partes intuitivas através de anos de negligência, pode parecer como se não pudéssemos encontrar o fio de luz que nos religaria a nossa fonte. É importante que compreendamos que não importa quão desconectados nos tornemos de nossa sabedoria interior divina, ela está sempre presente e disponível a nós. Ainda que tenhamos erguido barreiras para isolarmos a nossa orientação interior por um tempo, estas podem ser removidas através de nossa assídua oração e intenção.
Se estivemos desconectados de nós mesmos por um tempo muito longo, o processo de reconexão frequentemente trará velhas emoções, pensamentos e memórias que podemos ter oculto de nós mesmos e com os quais não estávamos preparados a lidar. Durante esta fase de reequilíbrio, é útil participar de algum tipo de sistema de apoio espiritual ou emocional que possa ajudar a estabilizar a nossa conexão interior com o Espírito.
Um dos aspectos mais desafiadores do processo de cura é lembrarmos que as emoções e memórias do passado estão surgindo para que sejam curadas e liberadas. Um sistema de apoio pode nos ajudar a nos ancorarmos na força do nosso ser interior, para permitir que emoções e sentimentos passem por nós e para que haja a liberação do nosso corpo, mente e espírito.
Enquanto este processo de limpeza acontece, a intuição e a sabedoria interior são naturalmente fortalecidas, pois há menos barreiras entre nós mesmos e o nosso espírito. Esta conexão interior mais profunda pode proporcionar uma fonte de sabedoria, de liberdade, de capacitação e de conforto durante os momentos difíceis, e nos sustentará por toda a vida com maior amor, alegria e paz. A sabedoria interior é uma grande dádiva, e é destinada não somente a abençoar as nossas vidas individuais, mas para compartilhar com outros para abençoar toda a vida, através de nossa conexão com o divino.
Mashubi Rochell é um conselheira espiritual e fundadora do World Blessings, uma comunidade de apoio on-line que oferece orientação e cura espiritual a pessoas de todos os credos. Para mais informações sobre o desenvolvimento da sabedoria interior, visite Worldblessings.com.
Tradução: Regina Drumond – reginamadrumond@yahoo.com.br
---------------------

LINKS SOBRE O TEMA:

http://clubemediunico.bloguepessoal.com/361163/INTUICAO/

Nenhum comentário:

Postar um comentário